sexta-feira, 14 de maio de 2010

Vídeo: Mudar rotinas em Vila Franca de Xira

O caminho pedonal ribeirinho entre Vila Franca de Xira e Alhandra, com 3 kms e 4,25 m de largura, é um dos espaços preferidos da população do concelho. Caminhar, andar de bicicleta ou apreciar a paisagem são algumas possibilidades de utilização.

Caminho muda rotinas em Vila Franca de Xira from Jornalismo Online on Vimeo.


*Este trabalho foi realizado no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web, do Cenjor. No módulo de Video. O programa usado foi o Adobe Premiere Pro 2.0.



Fotogaleria: Um cenário quase perfeito

Com vista privilegiada para o Rio Tejo, os mouchões e a lezíria, o passeio pedonal ribeirinho de Vila Franca de Xira tem, ao longo do percurso, elementos que destoam num cenário de grande beleza natural: as fábricas de Vila Franca e Alhandra.



 
A desactivada e degradada fábrica do descasque do arroz em Vila Franca de Xira
 
 
 


 
 
Vista da Lezíria


 
 
 
 
 
 
Os esgotos são uma constante


 
 
 
 
 
 
A sombra e o ar puro das árvores


 
 
 
 
 
Os grafitis tomam conta dos espaços abandonados




 
 
Um olhar sobre o Rio Tejo


 
 
Antiga Escola de Máquinas da Marinha
 


 
Prados de sequeiro florido
 


 
 
Fábrica da Cimianto, em Alhandra


 
 
Espaços verdes


 
 
Cimpor - Cimentos de Portugal, em Alhandra




Cais de Alhandra






*Este trabalho foi realizado no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web, do Cenjor. No módulo de Imagem. Todas estas imagens foram trabalhadas no Photoshop CS4 e CS5, em termos de ajuste tonal, contraste e saturação. Algumas delas foram ainda trabalhadas a preto e branco.

Voxpop: Como vê o passeio pedonal?

As opiniões sobre o ex-líbris do concelho são unânimes: É uma mais-valia para a população local. Mas, apesar dos aspectos positivos, há ainda algumas coisas a melhorar.




*Este trabalho foi realizado no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web, do Cenjor. No módulo de Som. Os programas usados foram o Sony Sound Forge 8 e o Vegas 6.


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Estuário do Tejo: Fauna e flora

O Estuário do Tejo, zona húmida de importância internacional, contempla diversas espécies características da avifauna nacional. Quem passa no local, não fica indiferente à sua presença.


Consideráveis são as espécies que habitam este espaço, em contacto permanente com a natureza. Aves grandes ou pequenas, aquáticas ou terrestres, fazem deste sítio o seu habitat ao longo de todo o ano. Outras escolhem-no apenas durante o Inverno.

Sendo o passeio ribeirinho uma zona de grande afluência populacional, é natural que grande parte das aves que ali habitam sejam indiferentes à presença do Homem. A Gaivota-de-Asa-Escura e o Pato-Real são espécies comuns neste espaço e bastante apreciadas pela população.

Outras espécies características da zona ribeirinha, e não menos importantes, são o Rouxinol-Grande-dos-Caniços e o Cartaxo-Comum. Estas aves de pequenas dimensões, características de locais húmidos, encontram na vegetação existente ao longo do passeio ribeirinho a sua alimentação, sobretudo nas árvores de folhagem densa e caniçais.

A Gaivota-de-Asa-Escura e a Garça-Branca-Grande também se encontram neste tipo de zonas húmidas, ribeirinhas, por preferirem margens pouco inclinadas e com vegetação não muito densa.

Existem ainda algumas espécies limícolas, que vivem no limo e no lodo, associadas a zonas húmidas como o Estuário do Tejo. Estas aves, conhecidas pelas suas vastas migrações, ocorrem ao estuário essencialmente de Inverno, como o Maçarico, o Borrelho-de-Coleira-Interrompida, o Alfaiate e o Pilrito-Pequeno.

A vegetação

A naturalização deste espaço foi concretizada através da plantação e da sementeira de espécies locais com reduzidas necessidades hídricas, e que muito têm contribuído para a manutenção da diversidade biológica e para o equilíbrio ecológico desta zona ribeirinha.

Entre as espécies de arbustos seleccionados salienta-se a utilização de Tamargueira, Salgadeira e Aroeira, colocadas em pontos estratégicos ao longo de todo o passeio ribeirinho. A preocupação no modo como são distribuídas e plantadas tem resultado numa harmonia do espaço.

Quanto às sementeiras, optou-se pelo prado de sequeiro florido, composto por várias espécies, Medicago Lupulina, Trifolium Fragiferum, e Lonicera Etrusca, o que permite a protecção do solo, promove uma cobertura mais eficaz e reduz os efeitos erosivos. Além disso, é uma importante fonte de alimento para algumas espécies avícolas. Os caniçais mantidos nas valas existentes são de particular importância para a preservação de algumas espécies e para o aumento da diversidade biológica.

É esta consciencialização e preocupação ambiental que faz com que o espaço preserve as suas especificidades naturais.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web,do Cenjor. No módulo de Escrita Digital.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Corrida, corridinha, caminhada

O passeio pedonal de Vila Franca de Xira é usado para acontecimentos desportivos. As suas condições físicas, aliadas à localização geográfica, fazem com que seja local de eleição para este tipo de iniciativas.


Um dos eventos desportivos mais emblemáticos é a Corrida das Lezírias, prova anual de 15 quilómetros, organizada pelo Pelouro de Desporto da Câmara Municipal de Vila Franca. A prova, realizada no mês de Março, tem por objectivo promover a actividade desportiva no concelho.

Das três provas existentes, apenas a Mini-Corrida entre Alhandra e Vila Franca decorre na pista do passeio ribeirinho. As outras duas ocorrem em espaços diferentes: a Prova Principal, de 15 quilómetros, atravessa a Ponte Marechal Carmona até às lezírias; a Corridinha, para os mais pequenos, realiza-se no Parque Urbano do Cevadeiro, em Vila Franca.

Todos os anos, milhares de pessoas, umas movidas pelo desporto, outras pelo convívio, dirigem-se ao Parque Urbano do Cevadeiro para participar nas três provas propostas.

Amadores e profissionais do desporto traçam num circuito misto, entre cidade e campo, as belas paisagens ribatejanas.

A beleza natural e as condições da competição ganham, cada vez mais, a simpatia dos atletas. Este ano, a corrida bateu o recorde de 1400 participantes na Prova Principal e cerca de meio milhar nas restantes.

Comemorações do Dia Mundial da Saúde

Também este ano, durante as celebrações do Dia Mundial da Saúde, no mês de Abril, a câmara organizou um conjunto de actividades com o tema “Urbanismo, Saúde e Inclusão Social”. Estas actividades procuraram ir ao encontro daquilo que foi definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na campanha “1000 pessoas, 1000 vidas”.

Dia 11 de Abril foi a data escolhida para a caminhada, a decorrer no passeio pedonal. Muitos foram os que aderiram a esta causa e vestiram a camisola. Principalmente, os mais idosos.

Ao som de música bem animada, todos fizeram a sua preparação. À sua espera estava a meta, em Alhandra. Até lá, teriam de percorrer cerca de 3 quilómetros. Uns com mais ritmo que outros, concluíram a prova com aproveitamento, sob o olhar daqueles que os esperavam do lado de Alhandra, para a realização de testes médicos gratuitos.

Estas comemorações resultaram da parceria entre o município, a Rede Portuguesa das Cidades Saudáveis, o Hospital Reynaldo dos Santos, a Comissão Social Inter-Freguesias de Alhandra, S. João dos Montes e Sobralinho, e Sociedade Euterpe Alhandrense.

Resultado da adesão ao apelo da OMS, a Câmara de Vila Franca recebeu um certificado emitido pela organização ao concelho.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web, do Cenjor. No módulo de Escrita Digital.


terça-feira, 11 de maio de 2010

Requalificação: Um projecto para continuar

O plano de requalificação da frente ribeirinha do concelho de Vila Franca de Xira promete prolongar o passeio pedonal, a norte e a sul do concelho. Existem inúmeros projectos e uma nova candidatura por parte da autarquia.


Proceder à demolição da antiga fábrica do descasque do arroz, situada em Vila Franca, para dar lugar a uma praça com uma ampla vista para o Rio Tejo é um dos projectos anunciados pela câmara municipal.

Segundo a autarquia, “foi aprovada uma candidatura deste município, no âmbito do QREN, de Requalificação Ribeirinha da Cidade, que constitui a terceira fase da obra e que permitirá ligar o caminho pedonal ao Jardim Constantino Palha e ao Parque Ribeirinho previsto a norte da Ponte Marechal Carmona, em Vila Franca”.

Em tempos, um painel gigante, em tecido, cobria uma das partes laterais da fábrica do descasque do arroz, fazendo as delícias dos que usam o passeio pedonal.

José Rodrigues, 86 anos, morador em Alhandra, ia até às imediações da fábrica só para olhar para aquele painel. “Foi pena o vendaval ter rasgado o pano. Era um espectáculo. Nós íamos ali atraídos por aquilo, para ver aquela vista. Levava-me mais o pano que a viagem do passeio pedonal em si.”

No apelativo painel informativo, colocado pela autarquia estrategicamente, podia ver-se um esboço do projecto de continuidade de requalificação da frente ribeirinha, a norte do concelho.

A candidatura que surge ao abrigo do programa Polis XXI, programa financiado pela União Europeia para a requalificação das cidades, prevê ainda a requalificação da Frente Ribeirinha da Zona Sul do Concelho (nas freguesias do Sobralinho, Alverca do Ribatejo, Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria) para a qual estão também previstos vários parques ribeirinhos e caminhos pedonais.

Com esta candidatura, a câmara municipal pretende promover o Rio Tejo enquanto factor de identidade do concelho e local privilegiado para a criação de espaços de lazer e cultura. Todas as iniciativas propostas têm, no entanto, em atenção a protecção, valorização e salvaguarda dos valores naturais, paisagísticos, patrimoniais e culturais ligados ao rio.

Valores e apoios

O investimento global é de 9,790,000 euros, dos quais 7 milhões serão suportados pela câmara municipal e REFER, com 3,500,000 euros cada. Os restantes 2,790,000 euros resultarão do investimento de privados.

De momento, encontram-se a ser efectuadas as obras de Requalificação do Cais de Vila Franca de Xira, a norte do concelho, que ligará o passeio pedonal ao Jardim Constantino Palha, quando a antiga fábrica do descasque do arroz for demolida.

As obras serão executadas em duas fases. A primeira, já iniciada, é a requalificação do muro do cais. A segunda é a requalificação da zona envolvente ao cais, com início previsto para Junho.

O investimento desta obra é de 720.300 euros e conta com a participação da câmara municipal, QREN, União Europeia, Porto de Lisboa e o Programa Operacional Regional Por Lisboa.

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira idealiza também a ligação da zona ribeirinha a sul do concelho ao Parque das Nações, através de uma ciclovia entre a zona ribeirinha da Póvoa e o futuro Parque do Trancão. O Parque do Trancão pertence ao Município de Loures. A boa notícia é que Vila Franca e Loures estão já em negociações.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web, do Cenjor. No módulo de Escrita Digital. Foi também publicado no site http://www.cidadedealverca.com/.


segunda-feira, 10 de maio de 2010

Uma obra, duas fases

A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira construiu o passeio pedonal ao abrigo do programa Polis, Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades.


Numa primeira fase, iniciada em Fevereiro de 2005, o percurso tinha apenas 700 m de extensão, desde a Casa-Museu Dr. Sousa Martins, em Alhandra, até à Fábrica Cimianto. Tem agora 3 quilómetros de comprimento e 4,25 m de largura, após prolongamento, a 4 de Outubro de 2008, até à antiga fábrica do descasque do arroz, em Vila Franca.

Além da “ligação pedonal e de ciclovia entre os núcleos urbanos de Alhandra e Vila Franca, a obra criou condições de acesso ao rio, aliadas ao desenvolvimento de actividades de recreio e lazer”, afirma Luís Matas de Sousa, urbanista e director do Projecto Municipal de Requalificação Urbana, que acompanhou todo o processo, desde a sua elaboração.

O investimento

A obra somou um investimento superior a sete milhões de euros. Contou com financiamentos comunitários e com o envolvimento de algumas entidades para além da Câmara Municipal. Essas entidades foram a Direcção-Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

“A participação financeira do Estado, através da PIDDAC, correspondeu a 40% e a comparticipação de fundos comunitários foi de 50% do investimento global feito pela câmara”, sublinha o urbanista.

A obra contou ainda com o apoio da REFER, no alargamento e estabilização da Plataforma Ferroviária contígua ao Rio Tejo e na construção de uma passagem superior à via-férrea que, para além de miradouro, dá acesso ao Parque Urbano do Cevadeiro, onde se realiza anualmente a Feira de Outubro e algumas actividades desportivas, como a emblemática Corrida das Lezírias.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web, do Cenjor. No módulo de Escrita Digital.


Quem caminha sempre alcança

Melhorar a qualidade de vida da população foi o principal objectivo da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira quando decidiu avançar com a construção de um passeio pedonal ribeirinho entre a sede de concelho e a vila de Alhandra.


“Está preparado para começar a fazer exercício físico?” A pergunta que ocupa o placard informativo interpela aqueles que iniciam uma prática desportiva no caminho pedonal, do lado de Alhandra.
Hoje, constantemente expostos a agressões como o stress e a ansiedade, há que evitar danos e apostar em hábitos saudáveis. O exercício físico é um bom método: protege a saúde e contribui para uma vida mais longa e com mais qualidade.

O desejo de ter uma vida mais saudável levou a que se registasse um aumento significativo de prática desportiva no concelho de Vila Franca. Aqueles que não faziam desporto, porque não frequentam ginásios, vêem agora uma oportunidade para mudar as suas rotinas. O passeio veio oferecer à população um espaço agradável para a prática de exercício físico e bem-estar. A custo zero.

Com início em frente à Casa-Museu Dr. Sousa Martins, em Alhandra, passando pelo Parque da Marinha, a Praça de Toiros Palha Blanco, e acabando nas imediações da antiga fábrica do descasque do arroz em Vila Franca, este espaço parece ter cada vez mais “adeptos” e “simpatizantes”. Desde crianças de tenra idade até aos mais idosos, o passeio parece agradar a todos.

Caminhar e correr

As crianças deixam os computadores e as playstations em casa e vão andar de patins ou bicicleta. Os mais idosos ficam pelas caminhadas, na maior parte dos casos acompanhados por um amigo ou familiar. Fernanda Gomes e Ermelinda Almeida, reformadas, vizinhas, amigas e adeptas desta modalidade, já não podem passar sem as suas caminhadas diárias. “Todos os dias depois de almoço, caminhamos uma hora”, sublinha Fernanda Gomes.

Morador em Vila Franca de Xira, o naturopata Clemente Rocha salienta a importância destas caminhadas, dizendo que “são uma prática igualmente saudável e acabam por durar bastante mais tempo do que a corrida. Muito usadas por pessoas com alguma debilidade física ou idade avançada, são uma boa alternativa na realização de exercício físico”. O naturopata refere ainda que “as instituições de administração pública têm por missão ajudar a promover aquilo que beneficia a sociedade. Nesse aspecto faz todo o sentido este tipo de investimentos que contrariem o estilo de vida cada vez mais sedentário”.

No entanto, há sempre quem arrisque mais na prática desportiva e experimente a corrida, como é o caso dos mais jovens. Delfim Rocha, engenheiro informático, 28 anos, residente no concelho de Alenquer, a 8 quilómetros de Vila Franca, dirige-se duas a três vezes por semana ao caminho pedonal para correr. “É a única oportunidade que tenho para fazer desporto, porque os dias de trabalho são passados em frente a um computador.”


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Jornalismo Web, do Cenjor. No módulo de Escrita Digital.





segunda-feira, 22 de março de 2010

Sócrates escapa ao caso Freeport

José Sócrates, sob suspeição durante seis anos no caso Freeport, já não faz parte da lista de arguidos, desde quinta-feira, por falta de provas do Ministério Público para acusar o primeiro-ministro.

No entanto, os procuradores Pães Faria e Vítor Magalhães encontram indícios suficientes para manter a acusação de alguns arguidos do processo relacionado com a construção do centro comercial de Alcochete.

Suspeito de corrupção e tráfico de influências, o nome de Sócrates aparece associado ao caso, pelo facto da implantação do Freeport, na zona de protecção ambiental do estuário do Tejo, ter ocorrido quando este era ministro do Ambiente.

Segundo Cândida Almeida, coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal, ainda está a ser analisado o relatório pericial da PJ, sendo necessário “confrontar resultados com o resto da prova e ver se há contradições ou lacunas”, disse.

A conclusão do despacho final será no próximo mês de Abril, quando o Ministério Público emitir “a sua decisão relativamente a todos os suspeitos e arguidos”, revelou Cândida Almeida.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Nacional", página 3.


domingo, 21 de março de 2010

Acordo de paz assinado no Sudão

O governo do Sudão e o Movimento de Justiça e Igualdade, principal grupo rebelde do Darfur, assinaram esta quarta-feira, no Qatar, um acordo de cessar-fogo, pondo fim a sete anos de conflito armado, numa região que já provocou 2,7 milhões de deslocados e 300 mil mortos.

Os grupos rebeldes do Darfur, que negociavam um acordo de paz desde 2004 para acabar com o conflito armado, iniciado em 2003, devido à pobreza e marginalização dos habitantes daquela região, vêem concretizado aquilo por que tanto ansiavam.

Os principais pontos acordados foram a distribuição de riqueza, a repartição do poder e as medidas de segurança, numa região habitada por quatro milhões de pessoas.

No entanto, para chegar a acordo, o presidente sudanês garantiu que os 105 activistas do Movimento de Justiça e Igualdade, condenados à morte, por participarem num ataque há dois anos perto da capital, serão libertados.

Al Bachir sublinhou que o acordo “é um passo importante para acabar com a guerra e o conflito no Darfur”.

Na cerimónia estiveram presentes o presidente do Sudão, Omar Hasan Al-Bachir, o dirigente máximo do Movimento de Justiça e Igualdade, Jalil Ibrahim, além dos presidentes do Chade, Idriss Debi, e da Eritreia, Isaías Afwerty, e o emitir do Qatar, Hamad Bin Jalifa Al-Zani.

Este último anunciou contribuir com 740 milhões de euros para a reconstrução do Sudão, que segundo o presidente sudanês, será um novo país, estável e pacífico.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Internacional", página 16.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Lufthansa: greve dura menos de 24 horas

Lufthansa, a maior companhia aérea europeia, realizou esta semana um dia de greve, contrariamente aos quatro dias previstos. Pondo fim àquela que era esperada ser a maior greve da história da companhia.

Iniciada à meia-noite do dia 21 de Fevereiro, a greve terminou na segunda-feira, dia 22, e contou com a adesão de mais de 90 por cento dos 4.000 pilotos filiados no Sindicato Cockpit.

Os pilotos da Lufthansa retomaram os postos de trabalho na terça-feira, mas a companhia aérea avisou que a normalidade dos serviços seria reposta progressivamente até ao final desta semana.

Com um prejuízo inicial de 100 milhões de euros, caso todos os voos fossem cancelados, a companhia aérea respirou de alívio, num momento em que a Alemanha atravessa uma grave crise económica.

Apesar da sua curta duração, a greve afectou algumas ligações entre cidades europeias, com dois voos do Porto e um de Lisboa, ambos cancelados no primeiro dia de greve. Dos aeroportos alemães, o de Frankfurt foi dos mais afectados.

Pilotos e sindicatos reivindicam aumentos salariais, garantias de emprego e denunciam o recurso à mão-de-obra estrangeira para reduzir custos.

Após ter recusado ceder às exigências dos sindicatos, a empresa decidiu retornar à mesa das negociações, mesmo sem condições, para tentar negociar o aumento salarial de 6,4 por cento, exigido pelos trabalhadores.

Ainda assim, a empresa conseguiu assegurar 960 voos, dos 1.100 previstos no dia da greve. Normalmente, a companhia realiza 1.800 voos diários, com total de 150 mil passageiros.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi pubicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Sociedade", página 9.


Educação Especial: FENPROF denuncia falta de professores

Sessenta por cento dos agrupamentos escolares, queixam-se da falta de docentes para apoiar crianças e jovens com necessidades educativas especiais. Muitos dos que acompanham este alunos, não têm qualquer tipo de experiência e especialização. Os números apontam para 312 professores em falta.

Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, garantiu, em declarações à Agência Lusa, que muitos dos docentes dos grupos de recrutamento da Educação Especial são colocados por oferta de escola, devido à falta de professores nos quadros para cobrir as necessidades.

Segundo o líder da FENPROF, os professores que existem nos quadros apenas permitem dar resposta a metade das necessidades, tendo os estabelecimentos de ensino recorrido a “destacamentos e ofertas de escola”.

No entanto, a coordenadora do estudo destinado a avaliar a reforma da educação especial, Manuela Sanchez Ferreira, considera que as escolas estão de parabéns pelo esforço de adaptação a um novo modelo, embora continuem a denunciar falta de profissionais.

Num estudo realizado entre Dezembro e Janeiro por 424 direcções regionais de educação, os estabelecimentos de ensino afirmaram necessitar de mais 312 docentes.

Ainda segundo o inquérito, cerca de 30 por cento das escolas indicaram que a dimensão das salas não é adequada e quase 40 por cento consideram os equipamentos insuficientes.

“Algumas das escolas/unidades chegam a ser frequentadas pelo triplo dos alunos para que foram concebidas, o que gera condições de trabalho muito negativas, tanto para alunos, como para professores”, acrescentou o secretário-geral da FENPROF.

Nos 424 agrupamentos que participaram no estudo existe um total de 2.282 docentes afectos à educação especial, no entanto apenas 1.216 pertencem aos quadros do agrupamento.

Dos restantes 1.066, 437 foram contratados por oferta de escola e metade não tem qualquer tipo de especialização para este tipo de apoios.

Para além da falta de professores, as escolas também se queixam da falta de outros profissionais como os auxiliares de acção educativa, psicólogos e terapeutas que, na maior parte das vezes, não se encontram nos estabelecimentos de ensino a tempo inteiro.

A FENPROF critica os métodos da antiga equipa ministerial, que entendeu que a avaliação da incapacidade e saúde (CIF) é a única forma de sinalizar estes alunos, e acrescenta que desde que entrou em vigor, mais de mil crianças foram afastadas da educação especial. Exige por isso, a revogação do decreto-lei que procedeu à reforma da educação especial, bem como, a revisão dos critérios de sinalização dos alunos com necessidades educativas especiais.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março, secção "Sociedade", página 9.


quinta-feira, 18 de março de 2010

Benfica e Sporting estão nos oitavos-de-final da Liga Europa

O Benfica ganhou esta semana, no Estádio da Luz, ao Hertha de Berlim, com quatro golos marcados. Também o Sporting continua em competição e vence o Everton por 3-0, deixando para trás o mau resultado da primeira-mão.

Depois do empate do Benfica em Berlim, e a derrota do Sporting em Liverpool, ambas as equipas garantiram a sua qualificação para os oitavos-de-final da Liga Europa.

A equipa de Jorge Jesus dominou o encontro por completo com os golos de Aimar, aos 25 minutos, dois golos de Cardozo, aos 49 e 62 minutos e um golo de Javi García, aos 59 minutos. Este último, redimindo-se assim, do auto-golo da primeira-mão.

Por seu lado, os leões reconciliam-se com os adeptos, depois de sete jogos sem ganhar, e vencem o Everton, com 3 golos marcados na segunda metade da partida.

Os autores dos golos foram Miguel Veloso, aos 63 minutos, Pedro Mendes, aos 75, e Matías Fernandez que, no último minuto do jogo, completou o 3-0.

Os adversários da próxima fase já são conhecidos, o Benfica irá defrontar os franceses do Marselha, enquanto o Sporting joga com o Atlético de Madrid.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Abril a 1 de Março de 2010, secção "Desporto", página 16.


Leões derrotam dragões

O Sporting venceu o FC Porto por 3-0, este domingo, em Alvalade, numa exibição que arrasou a equipa de Jesualdo Ferreira.

A equipa de Carlos Carvalhal coloca assim a equipa azul e branca a nove pontos do Benfica, líder no campeonato nacional, e a oito pontos do Sporting de Braga.

Djaló (6 minutos), Izmailov (45) e Miguel Veloso (47) foram os autores dos golos que podem afastar os dragões do “penta”.

João Moutinho diz que o quarto lugar é o objectivo, e que a equipa vai tentar manter a atitude que teve neste jogo.

Carlos Carvalhal também se mostrou satisfeito com a exibição leonina, mas refere que o campeonato não acaba aqui e recusou entrar em euforias.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Desporto", página 16.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Urbano Tavares Rodrigues lança novo livro

Urbano Tavares Rodrigues lança aos 86 anos um novo livro com vertente autobiográfica. “Assim se esvai a vida” reúne três obras num só livro. Para além da novela, o livro tem ainda outros dois textos “O cornetim encarnado” e “Os olhos do demónio e outros contos”.

A narrativa da novela passa-se, maioritariamente, durante o regime ditatorial, antes do 25 de Abril de 74 e estende-se até aos nossos dias, com referências ao actual presidente norte-americano.

A obra que surge de um impulso, foi escrita em apenas um mês e nela podemos encontrar um convívio narrativo entre personagens ficcionais e reais.

Natália Correia, Nikias Skapinakis, Francisco Sousa Tavares, são algumas das personagens mencionadas na narrativa do escritor.

A personagem do escritor Felisberto Roxo é reconhecida pelo autor, como autobiográfica, pelas precipitadas relações amorosas, ”gosto de mulheres, como namoradas, amantes, amigas, e fiz das mulheres as personagens dos meus romances e dei-lhes uma visão do mundo”, disse.

Também “O cornetim vermelho” é claramente um autobiográfico, de apontamentos e reflexões do dia-a-dia do escritor. Como diz o próprio, “é ver o mundo para lá do meu terraço, a partir de acontecimentos a que assisti ou que me chegaram através da televisão”.

Por último, o terceiro texto do livro reúne contos que segundo o autor, “podem ser mote para um romance, não sei, a ver vamos”.

O escritor que já conta com uma vasta obra no domínio da ficção, ensaio e crónicas, irá ainda editar no próximo Outono, o terceiro volume das obras completas, um ensaio intitulado “A natureza do acto criador”, um livro de contos e a poesia completa.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Cultura", página 14.


terça-feira, 16 de março de 2010

Violência doméstica aumentou em 2009

As mulheres são as grandes vítimas. Os maus tratos psíquicos, o tipo de crime mais comum. Lisboa e Porto, os distritos com mais casos registados. Estes são os dados divulgados pela APAV, num ano em que se prevêem mais campanhas de prevenção e sensibilização.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) abriu mais processos em 2009 que no ano anterior. No total de 17.628 crimes registados, 90 por cento foram de violência doméstica. As mulheres foram as principais vítimas, com 6.539 casos assinalados, entre os 7.639 apoiados pela associação.

A APAV indica que, neste tipo de crime, o número de homicídios mais do que duplicou face a 2008, com um aumento de 128,5 por cento.

A violação e o abuso sexual foram os crimes que mais aumentaram, com uma subida de 5,3 por cento, e 3,5 por cento, respectivamente.

No entanto estes dois tipos de crime não são os mais praticados. Os maus tratos psicológicos (5.583), maus tratos físicos (4.649,), ameaças (3.227) e difamação (1.783), são os que registam mais casos em Portugal. Contra os 139 casos de violação e os 117 de abuso sexual, registados em 2009.

O perfil das vítimas é, em 86 por cento dos casos, mulheres na faixa etária dos 26 aos 45 anos, portuguesas, casadas, que vivem do próprio trabalho e residem nas grandes cidades.

Por seu lado, os agressores são, em 84 por cento dos casos, homens com idades entre os 26 e 55 anos, portugueses, casados, empregados e mantêm uma relação com a vítima.

Os dados divulgados pela APAV, revelam que em 2009 morreram 16 mulheres contra sete em 2008. O que se traduz em mais de uma vítima mortal por mês num contexto de violência doméstica. Ainda assim, os dados ficam abaixo da realidade, uma vez que a instituição apenas contabiliza os números referentes às vítimas ou familiares que pediram ajuda.

Joana Marques Vidal, presidente da APAV, mostra-se preocupada e afirma haver cada vez menos tolerância à violação, explicando o maior número de queixas apresentadas à PSP e GNR.

“A polícia é muitas vezes a primeira instituição a atender as vítimas de violência familiar”, afirmaram os autores de um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade do Minho. E é também a classe de profissionais com mais atitudes pouco tolerantes à violência conjugal. Há “uma tendência para minimizar este tipo de crimes, e alguma relutância em intervir”, acrescentam os autores do estudo.

A PSP é a primeira autoridade a que recorrem as vítimas, com um aumento de 7,7 por cento, num total de 18.998 queixas registadas.

                                                        D.R.
Mulheres são as principais vítimas

Em Portugal, um dos distritos mais afectados é Lisboa, com 1.815 casos. Seguido do Porto, com 907, e Faro com 723. Guarda (32), Beja e Madeira (ambos com 31), Portalegre (24) e Évora (22) são os distritos com menos registos.

Os Açores, apesar de não ser das zonas do país com números mais flagrantes, registou um aumento de 40 por cento do número de casos de violência doméstica. Desde 2004 a APAV já contabilizou 882 vítimas, na maioria mulheres. Dos quais 298 foram atendidas em 2009, contra as 192 de 2008 e as 120 de 2007.

Mas nem só as mulheres são vítimas deste flagelo social. De acordo com um estudo europeu, um quarto da população portuguesa com mais de 60 anos, já foi vítima de violência doméstica, pelo menos uma vez na vida.

Os maus tratos psicológicos são os mais utilizados nesta faixa etária. E os agressores são, normalmente, as pessoas que tomam conta dos idosos (filhos e companheiros).

A investigação conclui ainda que a depressão e perturbações no sono e sistema digestivo são as doenças mais associadas à violência.

No estudo onde participaram países como, Espanha, Suécia, Lituânia, Alemanha, Grécia e Itália, conclui-se que, Portugal é o país da Europa do Sul com piores resultados.

Preocupados em prevenir e sensibilizar as pessoas para a violência doméstica, a APAV e o Fórum Europeu assinalam todos os anos, o Dia Europeu do Crime, para lembrar os direitos de quem é vítima.

Este ano, a APAV marcou o dia com um seminário na sede da associação, para debater a importância dos órgãos de comunicação social na divulgação dos fenómenos de violência, mas também o respeito que devem ter pelo direito das vítimas à sua privacidade.

Durante este ano, a associação que já tem 15 gabinetes de apoio à vítima no país, uma unidade de apoio à vítima imigrante e duas casas abrigo, pretende ainda criar campanhas de sensibilização, que incidam sobre a violência no namoro, em contexto escolar, assim como crimes patrimoniais contra as pessoas idosas.



Sandra Silva


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Sociedade", página 7.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Rei Édipo sobe ao palco do D. Maria II

Com uma linguagem moderna e um guarda-roupa contemporâneo, é assim que se apresenta esta nova versão, da história escrita por Sófocles, há 2500 anos atrás, em cena no Teatro D. Maria II. Cabe agora a Diogo Infante, na pele de Rei Édipo, descobrir que é o assassino do seu próprio pai e amante da sua própria mãe.

A tragédia grega “Rei Édipo”, de Sófocles, que estreou dia 18 de Fevereiro, no Teatro D. Maria II, em Lisboa, tem como protagonista Diogo Infante, no papel de Rei Édipo. Com uma linguagem nova a peça transformará a sala Garret na cidade de Tebas.

O encenador Jorge Silva Melo não resistiu ao convite de Diogo Infante, com quem nunca tinha trabalhado, e diz que este “é um actor na plena maturidade da possessão dos seus dotes expressivos”, como referiu em declarações à Agência Lusa.

Por seu lado, Diogo Infante sente-se próximo do personagem. “Identifico-me com Édipo. Também eu sou precipitado, também eu sinto uma força que me impele”.

Para o actor que, anteriormente, tinha estado na pele de Hamlet, no Teatro Maria Matos, em 2007, este é um regresso em grande., “Com peças como esta tem de haver uma entrega total do actor”, disse.

Depois de ler as traduções existentes, o encenador chegou à conclusão que nenhuma delas ia ao encontro daquilo que ele queria: um texto nervoso, sem confusões, com vocabulário muito simples. Esta nova versão quebra assim a monotonia do verso que desde o século XIX atribuímos aos clássicos.

Para Jorge Silva Melo, esta é uma versão simplificada, numa “linguagem sincopada, mais nervosa, mais curta e mais rápida”, sublinhou.

A opção dos figurinos e cenografia, da responsabilidade de Rita Lopes Alves, em não adoptar fatos de época, demonstra o quanto a tragédia é intemporal e pode ser adaptada aos nossos dias. Estes homens de Tebas usam suspensórios, coletes e botas.

O elenco inclui apenas uma mulher, a actriz Lia Gama no papel de Jocasta, e 31 homens, entre os quais Virgílio Castelo (como Creonte), António Simão (Tirésias), Cândido Ferreira (Pastor), José Neves (Sacerdote), António Banha (Mensageiro), Pedro Gil (Soldado), Américo Silva, João Meireles, Elmano Sancho e Manuel Sá Pessoa.

                                                                  Jorge Gonçalves/RR
Diogo Infante como Rei Édipo

A música estará a cargo de Pedro Carneiro e da Orquestra de Câmara Portuguesa, com música electrónica e música tocada ao vivo por um trio formado por violoncelo, clarinete e percussão.

A aposta na música foi uma das inovações desta nova versão apresentada por Jorge Silva Melo. A música, como em todas as tragédias clássicas, tem grande importância, e aqui, mais ainda, pois são 25 as vozes que compõem o coro idealizado por Jorge Melo. Quase o dobro do original. A música vem de todos os lados, da plateia, camarotes e laterais. “O Coro é a cidade, o Coro somos nós”, afirmou o encenador.

A tragédia que data do ano de 427 a.c, considerada por Aristóteles o mais perfeito exemplo de tragédia, reunindo parricídio, incesto e morte, conta a história do rei de Tebas, Édipo.

Um rei que nunca desiste de procurar as respostas para as suas interrogações. E que, apesar dos conselhos para não investigar as suas origens, irá descobrir que é o assassino do seu próprio pai e amante da sua própria mãe. O que é escandaloso não só nos conceitos psicológicos de agora, como para a antiga Grécia, onde dormir com a mãe é parar no tempo, voltar atrás, antes de ter nascido, antes de ter sido gerado. É ocupar o lugar do pai. Esta é a maior das monstruosidades para os gregos, e o que Édipo descobre é que, se calhar, somos todos monstros, afirmou Jorge Melo.

A tragédia simboliza os dilemas do homem moderno, complexo, bom e mau. O herói que salva a cidade é o mesmo que a destrói.

A história, uma meditação sobre as três idades do homem, conta o nascimento de Édipo, o seu abandono pelos pais, a sua adopção pelos reis de Corinto, o episódio da esfinge, a morte acidental do pai, o casamento com Jocasta, sua mãe, e a revelação do seu duplo crime e da verdade dos oráculos.

A tragédia da condição humana estará em cena sala Garret do teatro D. Maria II até dia 28 de Março, de quarta a sábado às 21 horas e 30 minutos e ao domingo às 16 horas.



Sandra Silva


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Cultura", página 13.

domingo, 14 de março de 2010

Reportagem

Hábitos saudáveis em Vila Franca de Xira

Caminho muda rotinas

Com vista privilegiada para o rio Tejo, o caminho pedonal ribeirinho entre Vila Franca de Xira e Alhandra é um dos espaços mais visitados pela população do concelho. Caminhar, andar de bicicleta ou apreciar a paisagem são algumas das possibilidades que este espaço oferece.

“As instituições de administração pública têm por missão ajudar a promover aquilo que beneficia a sociedade, e nesse aspecto faz sentido este tipo de investimentos que contrariem o estilo de vida cada vez mais sedentário”, disse Clemente Rocha, Naturopata em Vila Franca de Xira.

Hoje em dia estamos constantemente expostos a vários tipos de agressões como o stress e a ansiedade. E estas agressões podem ser evitadas mediante a prática de hábitos saudáveis através da prática de exercício físico. Protegendo a nossa saúde e contribuindo para uma vida mais longa e com mais qualidade.

Facilitar a criação de hábitos saudáveis foi um dos objectivos da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que ao abrigo do programa POLIS, Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades, construiu o passeio ribeirinho entre a sede de concelho e Alhandra.

Além da “ligação pedonal e de ciclovia entre os núcleos urbanos de Alhandra e Vila Franca, a obra criou condições de acesso ao rio, aliadas ao desenvolvimento de actividades de recreio e lazer”, afirmou Luís Matas de Sousa, urbanista e director do Projecto Municipal de Requalificação Urbana, que acompanhou todo o processo, desde a sua elaboração.

Com um cenário privilegiado para o rio Tejo, os mouchões e a lezíria, o passeio ribeirinho que inicialmente tinha apenas 700 metros de extensão, tem agora três quilómetros de comprimento e 4,25 de largura, desde o seu prolongamento a 4 de Outubro de 2008. E já é considerado um ex-libris do concelho.

Com início em frente ao Museu Dr. Sousa Martins, em Alhandra, passa pelo parque da Marinha, pela Praça de Toiros Palha Blanco e vai até às imediações da antiga fábrica do descasque do arroz em Vila Franca de Xira.

A antiga fábrica do arroz, desactivada há cerca de 11 anos, e que durante muito tempo foi posto de trabalho para muitas pessoas do concelho, encontra-se bastante degradada. A população do concelho considera-a uma mancha na paisagem do caminho ribeirinho.

Para José Rodrigues, 43 anos, habitante no concelho, “a fábrica só estraga a paisagem e é um perigo para quem ali passa”.

Promover a actividade física


A obra que somou um investimento superior a sete milhões de euros contou com financiamentos comunitários, e com o envolvimento de algumas entidades para além da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Essas entidades foram a Direcção Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano e a Comissão Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

“A participação financeira do Estado, através da PIDDAC, correspondeu a 40 por cento e a comparticipação de fundos comunitários foi de 50 por cento do investimento global feito pela Câmara”, sublinhou o urbanista Luís Matas de Sousa.

A obra contou ainda com o apoio da REFER, no alargamento e estabilização da Plataforma Ferroviária contígua ao rio Tejo e na construção de uma passagem superior à via-férrea que, para além de miradouro, dá acesso ao Parque Urbano do Cevadeiro, onde se realiza anualmente a Feira de Outubro e algumas actividades desportivas como a emblemática Corrida das Lezírias.

A prova anual de 15 quilómetros, organizada pelo Pelouro de Desporto da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, com o objectivo de promover a actividade desportiva no concelho, irá realizar-se no dia 14 de Março e tem o passeio ribeirinho como um dos locais de prova, na Mini-Corrida Alhandra-Vila Franca.

                                                                             Sandra Silva
Passeio ribeirinho entre Alhandra e Vila
Franca de Xira mobiliza dezenas de pessoas

Esta e outras actividades desportivas têm contribuído para “uma maior adesão da população ao caminho pedonal ribeirinho, atingindo assim os objectivos estabelecidos pela autarquia”, referiu o urbanista.

Dez da manhã, o sol já dava o ar da sua graça e eram bastantes aqueles que se “faziam” ao caminho. Crianças, jovens, adultos e até mesmo idosos, ocupavam as duas faixas do caminho pedonal, de cor vermelha.

As crianças preferem andar sobre rodas, quer de bicicleta ou patins. Os mais idosos ficam pelas caminhadas, na maior parte dos casos acompanhados por um amigo ou familiar. Os jovens e os adultos são quem mais arrisca na prática desportiva, principalmente, a corrida.

Obra promete continuar

Delfim Rocha, engenheiro informático, 28 anos, residente no concelho de Alenquer, a oito quilómetros de Vila Franca, dirige-se duas a três vezes por semana ao caminho pedonal para a prática de exercício físico, “é a única oportunidade que tenho para fazer desporto, porque os dias de trabalho são passados em frente a um computador”, disse em declarações à Gazeta do Cenjor. Equipado a rigor, Delfim, encontrava-se já no fim da sua corrida, junto à antiga fábrica de arroz, depois de correr seis quilómetros (ida e volta), ao som de U2, uma das suas bandas preferidas.

“As caminhadas também são uma prática igualmente saudável, e acabam por durar bastante mais tempo que a corrida. Muito usadas por pessoas com alguma debilidade física ou idade avançada, são uma boa alternativa na realização de exercício físico”, afirmou mais uma vez, o naturopata, Clemente Rocha.

Fernanda Gomes e Ermelinda Almeida, reformadas, vizinhas, amigas e adeptas desta modalidade, já não podem passar sem as suas caminhadas “todos os dias depois de almoço, caminhamos uma hora e meia”, sublinhou Fernanda Gomes, com um ar que já transparecia algum cansaço.

Considerada uma mais-valia para o concelho, o caminho tem para além da pista, um conjunto de aparelhos de cardio-fitness, na zona de Alhandra. Aqui podemos ver um placar bastante desgastado pelo tempo, que apela os utilizadores à prática desportiva: “Está preparado para começar a fazer exercício físico?”. O placar fornece ainda informações, num conjunto de regras de utilização dos aparelhos e sugestões para controlar a actividade física e promover o bem-estar.

                                                                                     Sandra Silva
Passear a pé ou de bicicleta são algumas
das possibilidades deste espaço 

Junto à zona com aparelhos, existe também um espaço com quatro mesas, para piqueniques ou jogos. Aqui encontrámos Victor Sousa e Manuel Peixe, com 73 e 76 anos, respectivamente, a jogar às cartas, e que usam aquele espaço para “passar o tempo e apanhar ar”, disse Manuel.

Para além das zonas de estar, com bancos distribuídos ao longo do caminho, existem também espaços verdes, dois pontões, bebedouros, caixotes do lixo e uma infra-estrutura onde os donos podem depositar os dejectos dos seus animais.

O plano de requalificação da frente ribeirinha do concelho de Vila Franca de Xira promete prolongar o passeio pedonal e proceder à demolição da antiga fábrica de arroz, para dar lugar a uma praça com uma ampla vista para o rio.

Segundo a autarquia, “foi aprovada uma candidatura deste município, no âmbito do QREN, de Requalificação Ribeirinha da Cidade, que constitui a terceira fase da obra e que permitirá ligar o caminho pedonal ribeirinho, ao Jardim Constantino Palha e ao Parque Ribeirinho previsto a norte da ponte Marechal Carmona. Foi ainda aprovada uma candidatura para a “Requalificação da Frente Ribeirinha Sul do Concelho”, desde a Póvoa de Sta Iria até ao Sobralinho, para a qual estão também previstos vários parques ribeirinhos e caminhos pedonais”, afirmou o urbanista.



Sandra Silva


*Esta reportagem foi realizada no âmbito do Curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicada na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Sociedade", página 8.


sábado, 13 de março de 2010

Breves: Cultura

Os Estúdios londrinos Abbey Road foram colocados à venda pela editora EMI devido a problemas financeiros. O edifício, ponto turístico de Londres, foi comprado em 1929 pela editora discográfica e transformado em estúdio de gravação, usado por artistas como os Beatles, Pink Floyd e Radiohead.

O livro “Heróis à Moda do Porto” é líder de vendas em Portugal com mais de 20 mil exemplares vendidos, em apenas dez dias. O livro que surge no âmbito de um curso de formação para adultos resulta num levantamento e estudo sobre o “linguajar” do Porto, com 500 vocábulos e expressões tipicamente portuenses.

UNESCO lança Ano Internacional de Aproximação entre Culturas com o objectivo de combater o preconceito, gerador de violência e conflito. As prioridades da iniciativa são o desenvolvimento cultural do continente africano e estabelecer as mulheres como um grupo importante a ter acesso ao conhecimento e ao poder.


*Estes textos foram escritos no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foram publicados na "Gazeta do Cejor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março, secção "Cultura", página 14.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Entrevista

Fernando Silva, repórter de imagem

“O mau profissionalismo fere susceptibilidades”

Passado cinco anos do tsunami, o repórter de imagem da SIC conta como foi ter estado no terreno. Os quinze dias em Phuket, Tailândia, mostram o trabalho de um profissional da informação numa situação de catástrofe.

Fernando Silva estava há seis anos na SIC quando aconteceu o tsunami. Este foi o seu primeiro trabalho do género e também o mais mediatizado. Ainda hoje considera-o como um dos mais importantes da sua vida.
As poucas horas de sono, a falta de tempo para comer e o cansaço que se acumulava dia após dia foram as principias dificuldades que este cameraman encontrou no seu trabalho de reportagem.

Gazeta do Cenjor - Agora que estamos a assistir à tragédia no Haiti como foi passar por uma situação semelhante em 2004, no tsunami?
Fernando Silva – São situações diferentes. Cada caso é um caso. No tsunami estava no terreno, no caso do Haiti tenho acompanhado como espectador. Mas a experiência de 2004 foi uma das mais importantes da minha vida a nível profissional.

O que viu quando lá chegou?
Quando cheguei não tive logo a noção do que se passava porque só a costa tinha sido atingida e o resto do país continuava a funcionar, dentro do possível, com normalidade. Mas à medida que nos íamos aproximando da costa o cenário mudou, a destruição era evidente.

Qual a sua reacção a esse cenário de catástrofe?
Fiquei incrédulo, não conseguia perceber como é que aquele mar que estava ali à minha frente, calmo como uma piscina, podia ter causado toda aquela destruição.

Qual o vosso objectivo quando chegaram à Tailândia?
Quando chegamos dirigimo-nos a hospitais à procura de sobreviventes portugueses. Em Portugal já tínhamos conhecimento que havia portugueses no local.

Encontraram portugueses?
Sim. Falámos com um português que tinha perdido a mulher no tsunami e com uns portugueses que viviam em Macau e que estavam a passar férias ali.

Acha que os jornalistas estão preparados para estas situações?
Preparado acho que ninguém está porque estas catástrofes acontecem sem avisar.

                                                       Sandra Silva
Quinze dias de reportagem em Phuket fizeram
deste trabalho o mais importante para Fernando Silva.

Então como é que se faz essa preparação?
Ter sangue frio e acima de tudo, ser-se profissional.

Já que falamos em profissionalismo, qual é o papel do repórter de imagem nestas situações?
É um papel difícil. Temos de ter cuidado com o que filmamos para não ferir susceptibilidades. Além disso a presença de uma câmara nem sempre é bem tolerada, principalmente, em momentos trágicos.

Sentiu que as pessoas fugiam de si por causa da câmara?
Não. As câmaras e microfones já faziam parte daquela realidade. Mas nem sempre é fácil…

Para que contribuiu o trabalho dos média?
Acima de tudo para informar. Mas também divulgar números, nomes, contactos de ajuda às vítimas. Fazer chegar às pessoas que estavam a viver outras realidades, o que aconteceu e levá-las a ajudar.

“Aquele mar que estava ali à minha frente, calmo como uma piscina, [causou] toda aquela destruição.”

Como se faz essa informação?
Com rigor e objectividade.

Então como vê o voyerismo mórbido que muitos condenam mas que outros insistem em mostrar?
Como uma prática de mau profissionalismo e mau jornalismo. Mas infelizmente acontece muito. As pessoas pensam que fazer um bom trabalho é sinónimo de mostrar o que seria escusado mostrar.

E o que é que seria escusado mostrar?
Tudo aquilo que possa ferir susceptibilidades. Tudo o que é desnecessário para o enquadramento de uma determinada realidade. Por exemplo, tanto no Haiti como no tsunami houve muitos mortos e nós, profissionais da informação, temos o dever de mostrar essa mesma realidade. Mas podemos fazê-lo de um modo menos agressivo.

Então como tratar o tema da morte em situações de catástrofe, onde ganha proporções gigantescas?
O mais natural possível. A morte não é um assunto fácil de tratar, mas em situações de catástrofes, como no Haiti ou no tsunami, a morte tem de ser mostrada. Fazia parte da realidade que estávamos a viver.

                                                                                      D.R.
A catástrofe provocada pelo
tsunami matou mais de 280 mil pessoas

Acha que a população dos países afectados ganhou ou perdeu com a projecção mediática?
Penso que ambas as coisas. Ganharam com a ajuda humanitária e monetária, que contribuiu para uma rápida reconstrução dos países. Mas também perderam a nível turístico porque as pessoas tinham medo de viajar para um sítio que tinha acabado de ser atingido por um tsunami. Além de que não sabiam se voltaria a acontecer.
Aliás, o governo tailandês, passado um ano, pagava viagens aos jornalistas para irem mostrar a realidade que estava a mudar. Mostrar um país em reconstrução.

A situação teria sido diferente sem a presença dos média?
Penso que sim. A globalização é hoje uma realidade e os média têm contribuído para essa globalização. O elevado índice de ajuda internacional em casos como o tsunami e agora o Haiti, deve-se em grande parte à divulgação e à rápida proliferação da informação feita pelos meios de comunicação social.

Que imagens recorda?
Os mortos e a destruição. Uma das imagens que mais retenho é a passagem por um templo budista em Kaulak, onde corpos estavam espalhados pelo chão, dentro de sacos brancos. Era uma autêntica morgue.

Acha que fez tudo ao seu alcance para passar o máximo de informação aos telespectadores?
O meu objectivo era esse. Como disse anteriormente, foram dias de grande desgaste físico na procura de novas informações. Chegámos a alugar um barco para ir à Phi Phi Island porque tínhamos recebido a informação que a zona tinha sido bastante afectada pelo maremoto.

Quais as dificuldades que sentiu?
Obter informações. No início a informação era escassa mas, à medida que os dias iam passando, as autoridades locais iam informando os jornalistas. Havia campos de ajuda humanitária, onde jornalistas e outras pessoas se concentravam. Era nesses campos que muitas vezes procurávamos informações e comíamos.

Acha que em termos mediáticos o tsunami teve mais impacto que o terramoto no Haiti?
Não sei, são ambas situações de grande impacto. O tsunami atingiu mais do que um país e morreram muitos estrangeiros. O Haiti é o país mais pobre do mundo. Mas a meu ver o tsunami teve mais impacto por ter morto mais pessoas, principalmente, turistas estrangeiros.

Para terminar, como está a viver a situação que atingiu, recentemente, o Haiti?
Não tenho acompanhado muito a situação. Mas é sempre triste voltar a vivenciar um acontecimento destes, apesar da perspectiva ser outra. Agora encontro-me do lado de cá da realidade e não no terreno. O Haiti é um país muito pobre, choca-me ver o que as pessoas fazem para ter um bocado de comida, agridem-se uns aos outros, são capazes de matar…A situação é mais crítica, abalou um país inteiro.



Sandra Silva


*Esta entrevista foi realizada no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicada na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Sociedade", página 12.


quinta-feira, 11 de março de 2010

O teatro - emblema da cidade de Almada

A Mostra de Teatro de Almada começa com um pequeno mostruário do que os grupos de teatro amadores de Almada faziam, mas é hoje uma referência nacional. Almada é actualmente o maior consumidor de teatro do país e a qualidade dos seus espectáculos enchem as salas.

A Mostra de Teatro de Almada que está a decorrer desde o início do mês de Fevereiro e que se prolongará até ao dia 27, constitui “o emblema da cidade-cultura que somos”, como afirmou António Matos, vereador da Câmara Municipal de Almada, quando contactado pela Gazeta do Cenjor.

Anualmente organizada pela Câmara Municipal de Almada e pelos grupos de teatro do concelho, a Mostra já conta com catorze anos de existência. Fazer crescer os públicos e consolidar o projecto são as expectativas desta 14ª edição.

O acontecimento que é para a autarquia “uma montra de todo o teatro que se faz na cidade”, promove e divulga a diversidade de produção teatral que se faz no concelho.

A diversidade de peças é igual à variedade de público. Os espectáculos dirigidos a públicos de todas as idades são considerados “a característica singular dos festivais de Almada”, sublinhou António Matos à Gazeta do Cenjor.

Para a autarquia esta é uma das quatro grandes festas do teatro de Almada que são: o Festival de Almada, no Verão, o Festival de teatro para crianças – Os Sementes - o teatro escolar (existem muitos grupos de teatro escolares no concelho de Almada) e por fim a Mostra de Teatro de Almada.

Os festivais de teatro de Almada já são conhecidos do público em geral e para António Matos, em particular, “Almada é já uma referência a nível da criação e dos públicos”.

Ao longo dos anos, este festivais têm contribuído para a criação de um público de teatro coeso. A qualidade dos espectáculos é um dos factores do seu reconhecimento.
                                                                                                                 
                                                                                      Luís Rocha
Rita Lello e Pedro Giestas na abertura da Mostra

Durante quinze dias a cidade de Almada enche-se de artistas profissionais e amadores que sobem aos palcos por amor à arte de representar. Dezassete companhias e grupos de teatro levam à cena 19 espectáculos (dez estreias nacionais) de autores tão diversos quanto Adília Lopes, Clarice Lispector, Jean-Luc Lagarce, Molière, Manuel António Pina, Fausto Paravidino, Gil Vicente e Federico García Lorca.

Vítor Azevedo, fundador do Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, em declarações à Agência Lusa, recorda a geração de actores da década 70-80, que organizava ciclos de cultura com teatro, música, cinema, dança, poesia e exposições. “Não existem actores como nos anos 70-80, amadores mas dedicados, fixos”. E refere-o para dizer que o faziam para trazer as pessoas ao teatro.

“O Avarento” de Molière e “Quantas Artes, Quantas Manha!” de Gil Vicente sobem ao palco pelo Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria (GITT), pioneiro na organização de festivais de teatro no concelho de Almada, e o grupo mais antigo a participar nesta 14ª Mostra de Teatro de Almada.

Até ao dia 27 de Fevereiro mais espectáculos vão acontecer nos vários palcos da cidade: Teatro Municipal de Almada, Auditório Municipal Fernando Lopes Graça, Casa Municipal da Juventude de Cacilhas, Auditório da Pluricoop, Teatro Externo, FCT – UNL (Monte da Caparica) e Salão de Festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense. Este último mantém-se palco desde 1996, ano da estreia da Mostra de Teatro de Almada.

O evento teatral abriu portas no dia 5 de Fevereiro com as peças “Theatron”, um elogio às profissões do teatro, apresentada pela Companhia das Artes de Animação e do Teatro de Rua, e “Peça para dois” da Companhia de Teatro A Barraca, com actuações dos actores Rita Lello e Pedro Giestas.

À excepção das peças de abertura, as restantes actuações ficarão a cargo dos grupos de teatro locais, que irão representar grandes obras, clássicos, comédias e danças. A salientar a peça “Vende-se país solarengo com vista para o mar”, de Cláudia Dias, onde o teatro e a dança se cruzam.

Sandra Silva


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Cultura", página 15.