Hábitos saudáveis em Vila Franca de Xira
Caminho muda rotinas
Com vista privilegiada para o rio Tejo, o caminho pedonal ribeirinho entre Vila Franca de Xira e Alhandra é um dos espaços mais visitados pela população do concelho. Caminhar, andar de bicicleta ou apreciar a paisagem são algumas das possibilidades que este espaço oferece.
“As instituições de administração pública têm por missão ajudar a promover aquilo que beneficia a sociedade, e nesse aspecto faz sentido este tipo de investimentos que contrariem o estilo de vida cada vez mais sedentário”, disse Clemente Rocha, Naturopata em Vila Franca de Xira.
Hoje em dia estamos constantemente expostos a vários tipos de agressões como o stress e a ansiedade. E estas agressões podem ser evitadas mediante a prática de hábitos saudáveis através da prática de exercício físico. Protegendo a nossa saúde e contribuindo para uma vida mais longa e com mais qualidade.
Facilitar a criação de hábitos saudáveis foi um dos objectivos da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que ao abrigo do programa POLIS, Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades, construiu o passeio ribeirinho entre a sede de concelho e Alhandra.
Além da “ligação pedonal e de ciclovia entre os núcleos urbanos de Alhandra e Vila Franca, a obra criou condições de acesso ao rio, aliadas ao desenvolvimento de actividades de recreio e lazer”, afirmou Luís Matas de Sousa, urbanista e director do Projecto Municipal de Requalificação Urbana, que acompanhou todo o processo, desde a sua elaboração.
Com um cenário privilegiado para o rio Tejo, os mouchões e a lezíria, o passeio ribeirinho que inicialmente tinha apenas 700 metros de extensão, tem agora três quilómetros de comprimento e 4,25 de largura, desde o seu prolongamento a 4 de Outubro de 2008. E já é considerado um ex-libris do concelho.
Com início em frente ao Museu Dr. Sousa Martins, em Alhandra, passa pelo parque da Marinha, pela Praça de Toiros Palha Blanco e vai até às imediações da antiga fábrica do descasque do arroz em Vila Franca de Xira.
A antiga fábrica do arroz, desactivada há cerca de 11 anos, e que durante muito tempo foi posto de trabalho para muitas pessoas do concelho, encontra-se bastante degradada. A população do concelho considera-a uma mancha na paisagem do caminho ribeirinho.
Para José Rodrigues, 43 anos, habitante no concelho, “a fábrica só estraga a paisagem e é um perigo para quem ali passa”.
Promover a actividade física
A obra que somou um investimento superior a sete milhões de euros contou com financiamentos comunitários, e com o envolvimento de algumas entidades para além da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Essas entidades foram a Direcção Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano e a Comissão Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.
“A participação financeira do Estado, através da PIDDAC, correspondeu a 40 por cento e a comparticipação de fundos comunitários foi de 50 por cento do investimento global feito pela Câmara”, sublinhou o urbanista Luís Matas de Sousa.
A obra contou ainda com o apoio da REFER, no alargamento e estabilização da Plataforma Ferroviária contígua ao rio Tejo e na construção de uma passagem superior à via-férrea que, para além de miradouro, dá acesso ao Parque Urbano do Cevadeiro, onde se realiza anualmente a Feira de Outubro e algumas actividades desportivas como a emblemática Corrida das Lezírias.
A prova anual de 15 quilómetros, organizada pelo Pelouro de Desporto da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, com o objectivo de promover a actividade desportiva no concelho, irá realizar-se no dia 14 de Março e tem o passeio ribeirinho como um dos locais de prova, na Mini-Corrida Alhandra-Vila Franca.
Sandra Silva
Passeio ribeirinho entre Alhandra e Vila
Franca de Xira mobiliza dezenas de pessoas
Esta e outras actividades desportivas têm contribuído para “uma maior adesão da população ao caminho pedonal ribeirinho, atingindo assim os objectivos estabelecidos pela autarquia”, referiu o urbanista.
Dez da manhã, o sol já dava o ar da sua graça e eram bastantes aqueles que se “faziam” ao caminho. Crianças, jovens, adultos e até mesmo idosos, ocupavam as duas faixas do caminho pedonal, de cor vermelha.
As crianças preferem andar sobre rodas, quer de bicicleta ou patins. Os mais idosos ficam pelas caminhadas, na maior parte dos casos acompanhados por um amigo ou familiar. Os jovens e os adultos são quem mais arrisca na prática desportiva, principalmente, a corrida.
Obra promete continuar
Delfim Rocha, engenheiro informático, 28 anos, residente no concelho de Alenquer, a oito quilómetros de Vila Franca, dirige-se duas a três vezes por semana ao caminho pedonal para a prática de exercício físico, “é a única oportunidade que tenho para fazer desporto, porque os dias de trabalho são passados em frente a um computador”, disse em declarações à Gazeta do Cenjor. Equipado a rigor, Delfim, encontrava-se já no fim da sua corrida, junto à antiga fábrica de arroz, depois de correr seis quilómetros (ida e volta), ao som de U2, uma das suas bandas preferidas.
“As caminhadas também são uma prática igualmente saudável, e acabam por durar bastante mais tempo que a corrida. Muito usadas por pessoas com alguma debilidade física ou idade avançada, são uma boa alternativa na realização de exercício físico”, afirmou mais uma vez, o naturopata, Clemente Rocha.
Fernanda Gomes e Ermelinda Almeida, reformadas, vizinhas, amigas e adeptas desta modalidade, já não podem passar sem as suas caminhadas “todos os dias depois de almoço, caminhamos uma hora e meia”, sublinhou Fernanda Gomes, com um ar que já transparecia algum cansaço.
Considerada uma mais-valia para o concelho, o caminho tem para além da pista, um conjunto de aparelhos de cardio-fitness, na zona de Alhandra. Aqui podemos ver um placar bastante desgastado pelo tempo, que apela os utilizadores à prática desportiva: “Está preparado para começar a fazer exercício físico?”. O placar fornece ainda informações, num conjunto de regras de utilização dos aparelhos e sugestões para controlar a actividade física e promover o bem-estar.
Sandra Silva
Passear a pé ou de bicicleta são algumas
das possibilidades deste espaço
Junto à zona com aparelhos, existe também um espaço com quatro mesas, para piqueniques ou jogos. Aqui encontrámos Victor Sousa e Manuel Peixe, com 73 e 76 anos, respectivamente, a jogar às cartas, e que usam aquele espaço para “passar o tempo e apanhar ar”, disse Manuel.
Para além das zonas de estar, com bancos distribuídos ao longo do caminho, existem também espaços verdes, dois pontões, bebedouros, caixotes do lixo e uma infra-estrutura onde os donos podem depositar os dejectos dos seus animais.
O plano de requalificação da frente ribeirinha do concelho de Vila Franca de Xira promete prolongar o passeio pedonal e proceder à demolição da antiga fábrica de arroz, para dar lugar a uma praça com uma ampla vista para o rio.
Segundo a autarquia, “foi aprovada uma candidatura deste município, no âmbito do QREN, de Requalificação Ribeirinha da Cidade, que constitui a terceira fase da obra e que permitirá ligar o caminho pedonal ribeirinho, ao Jardim Constantino Palha e ao Parque Ribeirinho previsto a norte da ponte Marechal Carmona. Foi ainda aprovada uma candidatura para a “Requalificação da Frente Ribeirinha Sul do Concelho”, desde a Póvoa de Sta Iria até ao Sobralinho, para a qual estão também previstos vários parques ribeirinhos e caminhos pedonais”, afirmou o urbanista.
Sandra Silva
*Esta reportagem foi realizada no âmbito do Curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicada na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Sociedade", página 8.