quinta-feira, 11 de março de 2010

O teatro - emblema da cidade de Almada

A Mostra de Teatro de Almada começa com um pequeno mostruário do que os grupos de teatro amadores de Almada faziam, mas é hoje uma referência nacional. Almada é actualmente o maior consumidor de teatro do país e a qualidade dos seus espectáculos enchem as salas.

A Mostra de Teatro de Almada que está a decorrer desde o início do mês de Fevereiro e que se prolongará até ao dia 27, constitui “o emblema da cidade-cultura que somos”, como afirmou António Matos, vereador da Câmara Municipal de Almada, quando contactado pela Gazeta do Cenjor.

Anualmente organizada pela Câmara Municipal de Almada e pelos grupos de teatro do concelho, a Mostra já conta com catorze anos de existência. Fazer crescer os públicos e consolidar o projecto são as expectativas desta 14ª edição.

O acontecimento que é para a autarquia “uma montra de todo o teatro que se faz na cidade”, promove e divulga a diversidade de produção teatral que se faz no concelho.

A diversidade de peças é igual à variedade de público. Os espectáculos dirigidos a públicos de todas as idades são considerados “a característica singular dos festivais de Almada”, sublinhou António Matos à Gazeta do Cenjor.

Para a autarquia esta é uma das quatro grandes festas do teatro de Almada que são: o Festival de Almada, no Verão, o Festival de teatro para crianças – Os Sementes - o teatro escolar (existem muitos grupos de teatro escolares no concelho de Almada) e por fim a Mostra de Teatro de Almada.

Os festivais de teatro de Almada já são conhecidos do público em geral e para António Matos, em particular, “Almada é já uma referência a nível da criação e dos públicos”.

Ao longo dos anos, este festivais têm contribuído para a criação de um público de teatro coeso. A qualidade dos espectáculos é um dos factores do seu reconhecimento.
                                                                                                                 
                                                                                      Luís Rocha
Rita Lello e Pedro Giestas na abertura da Mostra

Durante quinze dias a cidade de Almada enche-se de artistas profissionais e amadores que sobem aos palcos por amor à arte de representar. Dezassete companhias e grupos de teatro levam à cena 19 espectáculos (dez estreias nacionais) de autores tão diversos quanto Adília Lopes, Clarice Lispector, Jean-Luc Lagarce, Molière, Manuel António Pina, Fausto Paravidino, Gil Vicente e Federico García Lorca.

Vítor Azevedo, fundador do Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, em declarações à Agência Lusa, recorda a geração de actores da década 70-80, que organizava ciclos de cultura com teatro, música, cinema, dança, poesia e exposições. “Não existem actores como nos anos 70-80, amadores mas dedicados, fixos”. E refere-o para dizer que o faziam para trazer as pessoas ao teatro.

“O Avarento” de Molière e “Quantas Artes, Quantas Manha!” de Gil Vicente sobem ao palco pelo Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria (GITT), pioneiro na organização de festivais de teatro no concelho de Almada, e o grupo mais antigo a participar nesta 14ª Mostra de Teatro de Almada.

Até ao dia 27 de Fevereiro mais espectáculos vão acontecer nos vários palcos da cidade: Teatro Municipal de Almada, Auditório Municipal Fernando Lopes Graça, Casa Municipal da Juventude de Cacilhas, Auditório da Pluricoop, Teatro Externo, FCT – UNL (Monte da Caparica) e Salão de Festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense. Este último mantém-se palco desde 1996, ano da estreia da Mostra de Teatro de Almada.

O evento teatral abriu portas no dia 5 de Fevereiro com as peças “Theatron”, um elogio às profissões do teatro, apresentada pela Companhia das Artes de Animação e do Teatro de Rua, e “Peça para dois” da Companhia de Teatro A Barraca, com actuações dos actores Rita Lello e Pedro Giestas.

À excepção das peças de abertura, as restantes actuações ficarão a cargo dos grupos de teatro locais, que irão representar grandes obras, clássicos, comédias e danças. A salientar a peça “Vende-se país solarengo com vista para o mar”, de Cláudia Dias, onde o teatro e a dança se cruzam.

Sandra Silva


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Cultura", página 15.


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