segunda-feira, 22 de março de 2010

Sócrates escapa ao caso Freeport

José Sócrates, sob suspeição durante seis anos no caso Freeport, já não faz parte da lista de arguidos, desde quinta-feira, por falta de provas do Ministério Público para acusar o primeiro-ministro.

No entanto, os procuradores Pães Faria e Vítor Magalhães encontram indícios suficientes para manter a acusação de alguns arguidos do processo relacionado com a construção do centro comercial de Alcochete.

Suspeito de corrupção e tráfico de influências, o nome de Sócrates aparece associado ao caso, pelo facto da implantação do Freeport, na zona de protecção ambiental do estuário do Tejo, ter ocorrido quando este era ministro do Ambiente.

Segundo Cândida Almeida, coordenadora do Departamento de Investigação e Acção Penal, ainda está a ser analisado o relatório pericial da PJ, sendo necessário “confrontar resultados com o resto da prova e ver se há contradições ou lacunas”, disse.

A conclusão do despacho final será no próximo mês de Abril, quando o Ministério Público emitir “a sua decisão relativamente a todos os suspeitos e arguidos”, revelou Cândida Almeida.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Nacional", página 3.


domingo, 21 de março de 2010

Acordo de paz assinado no Sudão

O governo do Sudão e o Movimento de Justiça e Igualdade, principal grupo rebelde do Darfur, assinaram esta quarta-feira, no Qatar, um acordo de cessar-fogo, pondo fim a sete anos de conflito armado, numa região que já provocou 2,7 milhões de deslocados e 300 mil mortos.

Os grupos rebeldes do Darfur, que negociavam um acordo de paz desde 2004 para acabar com o conflito armado, iniciado em 2003, devido à pobreza e marginalização dos habitantes daquela região, vêem concretizado aquilo por que tanto ansiavam.

Os principais pontos acordados foram a distribuição de riqueza, a repartição do poder e as medidas de segurança, numa região habitada por quatro milhões de pessoas.

No entanto, para chegar a acordo, o presidente sudanês garantiu que os 105 activistas do Movimento de Justiça e Igualdade, condenados à morte, por participarem num ataque há dois anos perto da capital, serão libertados.

Al Bachir sublinhou que o acordo “é um passo importante para acabar com a guerra e o conflito no Darfur”.

Na cerimónia estiveram presentes o presidente do Sudão, Omar Hasan Al-Bachir, o dirigente máximo do Movimento de Justiça e Igualdade, Jalil Ibrahim, além dos presidentes do Chade, Idriss Debi, e da Eritreia, Isaías Afwerty, e o emitir do Qatar, Hamad Bin Jalifa Al-Zani.

Este último anunciou contribuir com 740 milhões de euros para a reconstrução do Sudão, que segundo o presidente sudanês, será um novo país, estável e pacífico.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Internacional", página 16.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Lufthansa: greve dura menos de 24 horas

Lufthansa, a maior companhia aérea europeia, realizou esta semana um dia de greve, contrariamente aos quatro dias previstos. Pondo fim àquela que era esperada ser a maior greve da história da companhia.

Iniciada à meia-noite do dia 21 de Fevereiro, a greve terminou na segunda-feira, dia 22, e contou com a adesão de mais de 90 por cento dos 4.000 pilotos filiados no Sindicato Cockpit.

Os pilotos da Lufthansa retomaram os postos de trabalho na terça-feira, mas a companhia aérea avisou que a normalidade dos serviços seria reposta progressivamente até ao final desta semana.

Com um prejuízo inicial de 100 milhões de euros, caso todos os voos fossem cancelados, a companhia aérea respirou de alívio, num momento em que a Alemanha atravessa uma grave crise económica.

Apesar da sua curta duração, a greve afectou algumas ligações entre cidades europeias, com dois voos do Porto e um de Lisboa, ambos cancelados no primeiro dia de greve. Dos aeroportos alemães, o de Frankfurt foi dos mais afectados.

Pilotos e sindicatos reivindicam aumentos salariais, garantias de emprego e denunciam o recurso à mão-de-obra estrangeira para reduzir custos.

Após ter recusado ceder às exigências dos sindicatos, a empresa decidiu retornar à mesa das negociações, mesmo sem condições, para tentar negociar o aumento salarial de 6,4 por cento, exigido pelos trabalhadores.

Ainda assim, a empresa conseguiu assegurar 960 voos, dos 1.100 previstos no dia da greve. Normalmente, a companhia realiza 1.800 voos diários, com total de 150 mil passageiros.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi pubicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Sociedade", página 9.


Educação Especial: FENPROF denuncia falta de professores

Sessenta por cento dos agrupamentos escolares, queixam-se da falta de docentes para apoiar crianças e jovens com necessidades educativas especiais. Muitos dos que acompanham este alunos, não têm qualquer tipo de experiência e especialização. Os números apontam para 312 professores em falta.

Mário Nogueira, secretário-geral da FENPROF, garantiu, em declarações à Agência Lusa, que muitos dos docentes dos grupos de recrutamento da Educação Especial são colocados por oferta de escola, devido à falta de professores nos quadros para cobrir as necessidades.

Segundo o líder da FENPROF, os professores que existem nos quadros apenas permitem dar resposta a metade das necessidades, tendo os estabelecimentos de ensino recorrido a “destacamentos e ofertas de escola”.

No entanto, a coordenadora do estudo destinado a avaliar a reforma da educação especial, Manuela Sanchez Ferreira, considera que as escolas estão de parabéns pelo esforço de adaptação a um novo modelo, embora continuem a denunciar falta de profissionais.

Num estudo realizado entre Dezembro e Janeiro por 424 direcções regionais de educação, os estabelecimentos de ensino afirmaram necessitar de mais 312 docentes.

Ainda segundo o inquérito, cerca de 30 por cento das escolas indicaram que a dimensão das salas não é adequada e quase 40 por cento consideram os equipamentos insuficientes.

“Algumas das escolas/unidades chegam a ser frequentadas pelo triplo dos alunos para que foram concebidas, o que gera condições de trabalho muito negativas, tanto para alunos, como para professores”, acrescentou o secretário-geral da FENPROF.

Nos 424 agrupamentos que participaram no estudo existe um total de 2.282 docentes afectos à educação especial, no entanto apenas 1.216 pertencem aos quadros do agrupamento.

Dos restantes 1.066, 437 foram contratados por oferta de escola e metade não tem qualquer tipo de especialização para este tipo de apoios.

Para além da falta de professores, as escolas também se queixam da falta de outros profissionais como os auxiliares de acção educativa, psicólogos e terapeutas que, na maior parte das vezes, não se encontram nos estabelecimentos de ensino a tempo inteiro.

A FENPROF critica os métodos da antiga equipa ministerial, que entendeu que a avaliação da incapacidade e saúde (CIF) é a única forma de sinalizar estes alunos, e acrescenta que desde que entrou em vigor, mais de mil crianças foram afastadas da educação especial. Exige por isso, a revogação do decreto-lei que procedeu à reforma da educação especial, bem como, a revisão dos critérios de sinalização dos alunos com necessidades educativas especiais.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março, secção "Sociedade", página 9.


quinta-feira, 18 de março de 2010

Benfica e Sporting estão nos oitavos-de-final da Liga Europa

O Benfica ganhou esta semana, no Estádio da Luz, ao Hertha de Berlim, com quatro golos marcados. Também o Sporting continua em competição e vence o Everton por 3-0, deixando para trás o mau resultado da primeira-mão.

Depois do empate do Benfica em Berlim, e a derrota do Sporting em Liverpool, ambas as equipas garantiram a sua qualificação para os oitavos-de-final da Liga Europa.

A equipa de Jorge Jesus dominou o encontro por completo com os golos de Aimar, aos 25 minutos, dois golos de Cardozo, aos 49 e 62 minutos e um golo de Javi García, aos 59 minutos. Este último, redimindo-se assim, do auto-golo da primeira-mão.

Por seu lado, os leões reconciliam-se com os adeptos, depois de sete jogos sem ganhar, e vencem o Everton, com 3 golos marcados na segunda metade da partida.

Os autores dos golos foram Miguel Veloso, aos 63 minutos, Pedro Mendes, aos 75, e Matías Fernandez que, no último minuto do jogo, completou o 3-0.

Os adversários da próxima fase já são conhecidos, o Benfica irá defrontar os franceses do Marselha, enquanto o Sporting joga com o Atlético de Madrid.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Abril a 1 de Março de 2010, secção "Desporto", página 16.


Leões derrotam dragões

O Sporting venceu o FC Porto por 3-0, este domingo, em Alvalade, numa exibição que arrasou a equipa de Jesualdo Ferreira.

A equipa de Carlos Carvalhal coloca assim a equipa azul e branca a nove pontos do Benfica, líder no campeonato nacional, e a oito pontos do Sporting de Braga.

Djaló (6 minutos), Izmailov (45) e Miguel Veloso (47) foram os autores dos golos que podem afastar os dragões do “penta”.

João Moutinho diz que o quarto lugar é o objectivo, e que a equipa vai tentar manter a atitude que teve neste jogo.

Carlos Carvalhal também se mostrou satisfeito com a exibição leonina, mas refere que o campeonato não acaba aqui e recusou entrar em euforias.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Desporto", página 16.


quarta-feira, 17 de março de 2010

Urbano Tavares Rodrigues lança novo livro

Urbano Tavares Rodrigues lança aos 86 anos um novo livro com vertente autobiográfica. “Assim se esvai a vida” reúne três obras num só livro. Para além da novela, o livro tem ainda outros dois textos “O cornetim encarnado” e “Os olhos do demónio e outros contos”.

A narrativa da novela passa-se, maioritariamente, durante o regime ditatorial, antes do 25 de Abril de 74 e estende-se até aos nossos dias, com referências ao actual presidente norte-americano.

A obra que surge de um impulso, foi escrita em apenas um mês e nela podemos encontrar um convívio narrativo entre personagens ficcionais e reais.

Natália Correia, Nikias Skapinakis, Francisco Sousa Tavares, são algumas das personagens mencionadas na narrativa do escritor.

A personagem do escritor Felisberto Roxo é reconhecida pelo autor, como autobiográfica, pelas precipitadas relações amorosas, ”gosto de mulheres, como namoradas, amantes, amigas, e fiz das mulheres as personagens dos meus romances e dei-lhes uma visão do mundo”, disse.

Também “O cornetim vermelho” é claramente um autobiográfico, de apontamentos e reflexões do dia-a-dia do escritor. Como diz o próprio, “é ver o mundo para lá do meu terraço, a partir de acontecimentos a que assisti ou que me chegaram através da televisão”.

Por último, o terceiro texto do livro reúne contos que segundo o autor, “podem ser mote para um romance, não sei, a ver vamos”.

O escritor que já conta com uma vasta obra no domínio da ficção, ensaio e crónicas, irá ainda editar no próximo Outono, o terceiro volume das obras completas, um ensaio intitulado “A natureza do acto criador”, um livro de contos e a poesia completa.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Cultura", página 14.


terça-feira, 16 de março de 2010

Violência doméstica aumentou em 2009

As mulheres são as grandes vítimas. Os maus tratos psíquicos, o tipo de crime mais comum. Lisboa e Porto, os distritos com mais casos registados. Estes são os dados divulgados pela APAV, num ano em que se prevêem mais campanhas de prevenção e sensibilização.

A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) abriu mais processos em 2009 que no ano anterior. No total de 17.628 crimes registados, 90 por cento foram de violência doméstica. As mulheres foram as principais vítimas, com 6.539 casos assinalados, entre os 7.639 apoiados pela associação.

A APAV indica que, neste tipo de crime, o número de homicídios mais do que duplicou face a 2008, com um aumento de 128,5 por cento.

A violação e o abuso sexual foram os crimes que mais aumentaram, com uma subida de 5,3 por cento, e 3,5 por cento, respectivamente.

No entanto estes dois tipos de crime não são os mais praticados. Os maus tratos psicológicos (5.583), maus tratos físicos (4.649,), ameaças (3.227) e difamação (1.783), são os que registam mais casos em Portugal. Contra os 139 casos de violação e os 117 de abuso sexual, registados em 2009.

O perfil das vítimas é, em 86 por cento dos casos, mulheres na faixa etária dos 26 aos 45 anos, portuguesas, casadas, que vivem do próprio trabalho e residem nas grandes cidades.

Por seu lado, os agressores são, em 84 por cento dos casos, homens com idades entre os 26 e 55 anos, portugueses, casados, empregados e mantêm uma relação com a vítima.

Os dados divulgados pela APAV, revelam que em 2009 morreram 16 mulheres contra sete em 2008. O que se traduz em mais de uma vítima mortal por mês num contexto de violência doméstica. Ainda assim, os dados ficam abaixo da realidade, uma vez que a instituição apenas contabiliza os números referentes às vítimas ou familiares que pediram ajuda.

Joana Marques Vidal, presidente da APAV, mostra-se preocupada e afirma haver cada vez menos tolerância à violação, explicando o maior número de queixas apresentadas à PSP e GNR.

“A polícia é muitas vezes a primeira instituição a atender as vítimas de violência familiar”, afirmaram os autores de um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade do Minho. E é também a classe de profissionais com mais atitudes pouco tolerantes à violência conjugal. Há “uma tendência para minimizar este tipo de crimes, e alguma relutância em intervir”, acrescentam os autores do estudo.

A PSP é a primeira autoridade a que recorrem as vítimas, com um aumento de 7,7 por cento, num total de 18.998 queixas registadas.

                                                        D.R.
Mulheres são as principais vítimas

Em Portugal, um dos distritos mais afectados é Lisboa, com 1.815 casos. Seguido do Porto, com 907, e Faro com 723. Guarda (32), Beja e Madeira (ambos com 31), Portalegre (24) e Évora (22) são os distritos com menos registos.

Os Açores, apesar de não ser das zonas do país com números mais flagrantes, registou um aumento de 40 por cento do número de casos de violência doméstica. Desde 2004 a APAV já contabilizou 882 vítimas, na maioria mulheres. Dos quais 298 foram atendidas em 2009, contra as 192 de 2008 e as 120 de 2007.

Mas nem só as mulheres são vítimas deste flagelo social. De acordo com um estudo europeu, um quarto da população portuguesa com mais de 60 anos, já foi vítima de violência doméstica, pelo menos uma vez na vida.

Os maus tratos psicológicos são os mais utilizados nesta faixa etária. E os agressores são, normalmente, as pessoas que tomam conta dos idosos (filhos e companheiros).

A investigação conclui ainda que a depressão e perturbações no sono e sistema digestivo são as doenças mais associadas à violência.

No estudo onde participaram países como, Espanha, Suécia, Lituânia, Alemanha, Grécia e Itália, conclui-se que, Portugal é o país da Europa do Sul com piores resultados.

Preocupados em prevenir e sensibilizar as pessoas para a violência doméstica, a APAV e o Fórum Europeu assinalam todos os anos, o Dia Europeu do Crime, para lembrar os direitos de quem é vítima.

Este ano, a APAV marcou o dia com um seminário na sede da associação, para debater a importância dos órgãos de comunicação social na divulgação dos fenómenos de violência, mas também o respeito que devem ter pelo direito das vítimas à sua privacidade.

Durante este ano, a associação que já tem 15 gabinetes de apoio à vítima no país, uma unidade de apoio à vítima imigrante e duas casas abrigo, pretende ainda criar campanhas de sensibilização, que incidam sobre a violência no namoro, em contexto escolar, assim como crimes patrimoniais contra as pessoas idosas.



Sandra Silva


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Sociedade", página 7.


segunda-feira, 15 de março de 2010

Rei Édipo sobe ao palco do D. Maria II

Com uma linguagem moderna e um guarda-roupa contemporâneo, é assim que se apresenta esta nova versão, da história escrita por Sófocles, há 2500 anos atrás, em cena no Teatro D. Maria II. Cabe agora a Diogo Infante, na pele de Rei Édipo, descobrir que é o assassino do seu próprio pai e amante da sua própria mãe.

A tragédia grega “Rei Édipo”, de Sófocles, que estreou dia 18 de Fevereiro, no Teatro D. Maria II, em Lisboa, tem como protagonista Diogo Infante, no papel de Rei Édipo. Com uma linguagem nova a peça transformará a sala Garret na cidade de Tebas.

O encenador Jorge Silva Melo não resistiu ao convite de Diogo Infante, com quem nunca tinha trabalhado, e diz que este “é um actor na plena maturidade da possessão dos seus dotes expressivos”, como referiu em declarações à Agência Lusa.

Por seu lado, Diogo Infante sente-se próximo do personagem. “Identifico-me com Édipo. Também eu sou precipitado, também eu sinto uma força que me impele”.

Para o actor que, anteriormente, tinha estado na pele de Hamlet, no Teatro Maria Matos, em 2007, este é um regresso em grande., “Com peças como esta tem de haver uma entrega total do actor”, disse.

Depois de ler as traduções existentes, o encenador chegou à conclusão que nenhuma delas ia ao encontro daquilo que ele queria: um texto nervoso, sem confusões, com vocabulário muito simples. Esta nova versão quebra assim a monotonia do verso que desde o século XIX atribuímos aos clássicos.

Para Jorge Silva Melo, esta é uma versão simplificada, numa “linguagem sincopada, mais nervosa, mais curta e mais rápida”, sublinhou.

A opção dos figurinos e cenografia, da responsabilidade de Rita Lopes Alves, em não adoptar fatos de época, demonstra o quanto a tragédia é intemporal e pode ser adaptada aos nossos dias. Estes homens de Tebas usam suspensórios, coletes e botas.

O elenco inclui apenas uma mulher, a actriz Lia Gama no papel de Jocasta, e 31 homens, entre os quais Virgílio Castelo (como Creonte), António Simão (Tirésias), Cândido Ferreira (Pastor), José Neves (Sacerdote), António Banha (Mensageiro), Pedro Gil (Soldado), Américo Silva, João Meireles, Elmano Sancho e Manuel Sá Pessoa.

                                                                  Jorge Gonçalves/RR
Diogo Infante como Rei Édipo

A música estará a cargo de Pedro Carneiro e da Orquestra de Câmara Portuguesa, com música electrónica e música tocada ao vivo por um trio formado por violoncelo, clarinete e percussão.

A aposta na música foi uma das inovações desta nova versão apresentada por Jorge Silva Melo. A música, como em todas as tragédias clássicas, tem grande importância, e aqui, mais ainda, pois são 25 as vozes que compõem o coro idealizado por Jorge Melo. Quase o dobro do original. A música vem de todos os lados, da plateia, camarotes e laterais. “O Coro é a cidade, o Coro somos nós”, afirmou o encenador.

A tragédia que data do ano de 427 a.c, considerada por Aristóteles o mais perfeito exemplo de tragédia, reunindo parricídio, incesto e morte, conta a história do rei de Tebas, Édipo.

Um rei que nunca desiste de procurar as respostas para as suas interrogações. E que, apesar dos conselhos para não investigar as suas origens, irá descobrir que é o assassino do seu próprio pai e amante da sua própria mãe. O que é escandaloso não só nos conceitos psicológicos de agora, como para a antiga Grécia, onde dormir com a mãe é parar no tempo, voltar atrás, antes de ter nascido, antes de ter sido gerado. É ocupar o lugar do pai. Esta é a maior das monstruosidades para os gregos, e o que Édipo descobre é que, se calhar, somos todos monstros, afirmou Jorge Melo.

A tragédia simboliza os dilemas do homem moderno, complexo, bom e mau. O herói que salva a cidade é o mesmo que a destrói.

A história, uma meditação sobre as três idades do homem, conta o nascimento de Édipo, o seu abandono pelos pais, a sua adopção pelos reis de Corinto, o episódio da esfinge, a morte acidental do pai, o casamento com Jocasta, sua mãe, e a revelação do seu duplo crime e da verdade dos oráculos.

A tragédia da condição humana estará em cena sala Garret do teatro D. Maria II até dia 28 de Março, de quarta a sábado às 21 horas e 30 minutos e ao domingo às 16 horas.



Sandra Silva


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Cultura", página 13.

domingo, 14 de março de 2010

Reportagem

Hábitos saudáveis em Vila Franca de Xira

Caminho muda rotinas

Com vista privilegiada para o rio Tejo, o caminho pedonal ribeirinho entre Vila Franca de Xira e Alhandra é um dos espaços mais visitados pela população do concelho. Caminhar, andar de bicicleta ou apreciar a paisagem são algumas das possibilidades que este espaço oferece.

“As instituições de administração pública têm por missão ajudar a promover aquilo que beneficia a sociedade, e nesse aspecto faz sentido este tipo de investimentos que contrariem o estilo de vida cada vez mais sedentário”, disse Clemente Rocha, Naturopata em Vila Franca de Xira.

Hoje em dia estamos constantemente expostos a vários tipos de agressões como o stress e a ansiedade. E estas agressões podem ser evitadas mediante a prática de hábitos saudáveis através da prática de exercício físico. Protegendo a nossa saúde e contribuindo para uma vida mais longa e com mais qualidade.

Facilitar a criação de hábitos saudáveis foi um dos objectivos da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que ao abrigo do programa POLIS, Programa de Requalificação Urbana e Valorização Ambiental das Cidades, construiu o passeio ribeirinho entre a sede de concelho e Alhandra.

Além da “ligação pedonal e de ciclovia entre os núcleos urbanos de Alhandra e Vila Franca, a obra criou condições de acesso ao rio, aliadas ao desenvolvimento de actividades de recreio e lazer”, afirmou Luís Matas de Sousa, urbanista e director do Projecto Municipal de Requalificação Urbana, que acompanhou todo o processo, desde a sua elaboração.

Com um cenário privilegiado para o rio Tejo, os mouchões e a lezíria, o passeio ribeirinho que inicialmente tinha apenas 700 metros de extensão, tem agora três quilómetros de comprimento e 4,25 de largura, desde o seu prolongamento a 4 de Outubro de 2008. E já é considerado um ex-libris do concelho.

Com início em frente ao Museu Dr. Sousa Martins, em Alhandra, passa pelo parque da Marinha, pela Praça de Toiros Palha Blanco e vai até às imediações da antiga fábrica do descasque do arroz em Vila Franca de Xira.

A antiga fábrica do arroz, desactivada há cerca de 11 anos, e que durante muito tempo foi posto de trabalho para muitas pessoas do concelho, encontra-se bastante degradada. A população do concelho considera-a uma mancha na paisagem do caminho ribeirinho.

Para José Rodrigues, 43 anos, habitante no concelho, “a fábrica só estraga a paisagem e é um perigo para quem ali passa”.

Promover a actividade física


A obra que somou um investimento superior a sete milhões de euros contou com financiamentos comunitários, e com o envolvimento de algumas entidades para além da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Essas entidades foram a Direcção Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano e a Comissão Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo.

“A participação financeira do Estado, através da PIDDAC, correspondeu a 40 por cento e a comparticipação de fundos comunitários foi de 50 por cento do investimento global feito pela Câmara”, sublinhou o urbanista Luís Matas de Sousa.

A obra contou ainda com o apoio da REFER, no alargamento e estabilização da Plataforma Ferroviária contígua ao rio Tejo e na construção de uma passagem superior à via-férrea que, para além de miradouro, dá acesso ao Parque Urbano do Cevadeiro, onde se realiza anualmente a Feira de Outubro e algumas actividades desportivas como a emblemática Corrida das Lezírias.

A prova anual de 15 quilómetros, organizada pelo Pelouro de Desporto da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, com o objectivo de promover a actividade desportiva no concelho, irá realizar-se no dia 14 de Março e tem o passeio ribeirinho como um dos locais de prova, na Mini-Corrida Alhandra-Vila Franca.

                                                                             Sandra Silva
Passeio ribeirinho entre Alhandra e Vila
Franca de Xira mobiliza dezenas de pessoas

Esta e outras actividades desportivas têm contribuído para “uma maior adesão da população ao caminho pedonal ribeirinho, atingindo assim os objectivos estabelecidos pela autarquia”, referiu o urbanista.

Dez da manhã, o sol já dava o ar da sua graça e eram bastantes aqueles que se “faziam” ao caminho. Crianças, jovens, adultos e até mesmo idosos, ocupavam as duas faixas do caminho pedonal, de cor vermelha.

As crianças preferem andar sobre rodas, quer de bicicleta ou patins. Os mais idosos ficam pelas caminhadas, na maior parte dos casos acompanhados por um amigo ou familiar. Os jovens e os adultos são quem mais arrisca na prática desportiva, principalmente, a corrida.

Obra promete continuar

Delfim Rocha, engenheiro informático, 28 anos, residente no concelho de Alenquer, a oito quilómetros de Vila Franca, dirige-se duas a três vezes por semana ao caminho pedonal para a prática de exercício físico, “é a única oportunidade que tenho para fazer desporto, porque os dias de trabalho são passados em frente a um computador”, disse em declarações à Gazeta do Cenjor. Equipado a rigor, Delfim, encontrava-se já no fim da sua corrida, junto à antiga fábrica de arroz, depois de correr seis quilómetros (ida e volta), ao som de U2, uma das suas bandas preferidas.

“As caminhadas também são uma prática igualmente saudável, e acabam por durar bastante mais tempo que a corrida. Muito usadas por pessoas com alguma debilidade física ou idade avançada, são uma boa alternativa na realização de exercício físico”, afirmou mais uma vez, o naturopata, Clemente Rocha.

Fernanda Gomes e Ermelinda Almeida, reformadas, vizinhas, amigas e adeptas desta modalidade, já não podem passar sem as suas caminhadas “todos os dias depois de almoço, caminhamos uma hora e meia”, sublinhou Fernanda Gomes, com um ar que já transparecia algum cansaço.

Considerada uma mais-valia para o concelho, o caminho tem para além da pista, um conjunto de aparelhos de cardio-fitness, na zona de Alhandra. Aqui podemos ver um placar bastante desgastado pelo tempo, que apela os utilizadores à prática desportiva: “Está preparado para começar a fazer exercício físico?”. O placar fornece ainda informações, num conjunto de regras de utilização dos aparelhos e sugestões para controlar a actividade física e promover o bem-estar.

                                                                                     Sandra Silva
Passear a pé ou de bicicleta são algumas
das possibilidades deste espaço 

Junto à zona com aparelhos, existe também um espaço com quatro mesas, para piqueniques ou jogos. Aqui encontrámos Victor Sousa e Manuel Peixe, com 73 e 76 anos, respectivamente, a jogar às cartas, e que usam aquele espaço para “passar o tempo e apanhar ar”, disse Manuel.

Para além das zonas de estar, com bancos distribuídos ao longo do caminho, existem também espaços verdes, dois pontões, bebedouros, caixotes do lixo e uma infra-estrutura onde os donos podem depositar os dejectos dos seus animais.

O plano de requalificação da frente ribeirinha do concelho de Vila Franca de Xira promete prolongar o passeio pedonal e proceder à demolição da antiga fábrica de arroz, para dar lugar a uma praça com uma ampla vista para o rio.

Segundo a autarquia, “foi aprovada uma candidatura deste município, no âmbito do QREN, de Requalificação Ribeirinha da Cidade, que constitui a terceira fase da obra e que permitirá ligar o caminho pedonal ribeirinho, ao Jardim Constantino Palha e ao Parque Ribeirinho previsto a norte da ponte Marechal Carmona. Foi ainda aprovada uma candidatura para a “Requalificação da Frente Ribeirinha Sul do Concelho”, desde a Póvoa de Sta Iria até ao Sobralinho, para a qual estão também previstos vários parques ribeirinhos e caminhos pedonais”, afirmou o urbanista.



Sandra Silva


*Esta reportagem foi realizada no âmbito do Curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicada na "Gazeta do Cenjor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março de 2010, secção "Sociedade", página 8.


sábado, 13 de março de 2010

Breves: Cultura

Os Estúdios londrinos Abbey Road foram colocados à venda pela editora EMI devido a problemas financeiros. O edifício, ponto turístico de Londres, foi comprado em 1929 pela editora discográfica e transformado em estúdio de gravação, usado por artistas como os Beatles, Pink Floyd e Radiohead.

O livro “Heróis à Moda do Porto” é líder de vendas em Portugal com mais de 20 mil exemplares vendidos, em apenas dez dias. O livro que surge no âmbito de um curso de formação para adultos resulta num levantamento e estudo sobre o “linguajar” do Porto, com 500 vocábulos e expressões tipicamente portuenses.

UNESCO lança Ano Internacional de Aproximação entre Culturas com o objectivo de combater o preconceito, gerador de violência e conflito. As prioridades da iniciativa são o desenvolvimento cultural do continente africano e estabelecer as mulheres como um grupo importante a ter acesso ao conhecimento e ao poder.


*Estes textos foram escritos no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foram publicados na "Gazeta do Cejor", de 18 de Fevereiro a 1 de Março, secção "Cultura", página 14.


sexta-feira, 12 de março de 2010

Entrevista

Fernando Silva, repórter de imagem

“O mau profissionalismo fere susceptibilidades”

Passado cinco anos do tsunami, o repórter de imagem da SIC conta como foi ter estado no terreno. Os quinze dias em Phuket, Tailândia, mostram o trabalho de um profissional da informação numa situação de catástrofe.

Fernando Silva estava há seis anos na SIC quando aconteceu o tsunami. Este foi o seu primeiro trabalho do género e também o mais mediatizado. Ainda hoje considera-o como um dos mais importantes da sua vida.
As poucas horas de sono, a falta de tempo para comer e o cansaço que se acumulava dia após dia foram as principias dificuldades que este cameraman encontrou no seu trabalho de reportagem.

Gazeta do Cenjor - Agora que estamos a assistir à tragédia no Haiti como foi passar por uma situação semelhante em 2004, no tsunami?
Fernando Silva – São situações diferentes. Cada caso é um caso. No tsunami estava no terreno, no caso do Haiti tenho acompanhado como espectador. Mas a experiência de 2004 foi uma das mais importantes da minha vida a nível profissional.

O que viu quando lá chegou?
Quando cheguei não tive logo a noção do que se passava porque só a costa tinha sido atingida e o resto do país continuava a funcionar, dentro do possível, com normalidade. Mas à medida que nos íamos aproximando da costa o cenário mudou, a destruição era evidente.

Qual a sua reacção a esse cenário de catástrofe?
Fiquei incrédulo, não conseguia perceber como é que aquele mar que estava ali à minha frente, calmo como uma piscina, podia ter causado toda aquela destruição.

Qual o vosso objectivo quando chegaram à Tailândia?
Quando chegamos dirigimo-nos a hospitais à procura de sobreviventes portugueses. Em Portugal já tínhamos conhecimento que havia portugueses no local.

Encontraram portugueses?
Sim. Falámos com um português que tinha perdido a mulher no tsunami e com uns portugueses que viviam em Macau e que estavam a passar férias ali.

Acha que os jornalistas estão preparados para estas situações?
Preparado acho que ninguém está porque estas catástrofes acontecem sem avisar.

                                                       Sandra Silva
Quinze dias de reportagem em Phuket fizeram
deste trabalho o mais importante para Fernando Silva.

Então como é que se faz essa preparação?
Ter sangue frio e acima de tudo, ser-se profissional.

Já que falamos em profissionalismo, qual é o papel do repórter de imagem nestas situações?
É um papel difícil. Temos de ter cuidado com o que filmamos para não ferir susceptibilidades. Além disso a presença de uma câmara nem sempre é bem tolerada, principalmente, em momentos trágicos.

Sentiu que as pessoas fugiam de si por causa da câmara?
Não. As câmaras e microfones já faziam parte daquela realidade. Mas nem sempre é fácil…

Para que contribuiu o trabalho dos média?
Acima de tudo para informar. Mas também divulgar números, nomes, contactos de ajuda às vítimas. Fazer chegar às pessoas que estavam a viver outras realidades, o que aconteceu e levá-las a ajudar.

“Aquele mar que estava ali à minha frente, calmo como uma piscina, [causou] toda aquela destruição.”

Como se faz essa informação?
Com rigor e objectividade.

Então como vê o voyerismo mórbido que muitos condenam mas que outros insistem em mostrar?
Como uma prática de mau profissionalismo e mau jornalismo. Mas infelizmente acontece muito. As pessoas pensam que fazer um bom trabalho é sinónimo de mostrar o que seria escusado mostrar.

E o que é que seria escusado mostrar?
Tudo aquilo que possa ferir susceptibilidades. Tudo o que é desnecessário para o enquadramento de uma determinada realidade. Por exemplo, tanto no Haiti como no tsunami houve muitos mortos e nós, profissionais da informação, temos o dever de mostrar essa mesma realidade. Mas podemos fazê-lo de um modo menos agressivo.

Então como tratar o tema da morte em situações de catástrofe, onde ganha proporções gigantescas?
O mais natural possível. A morte não é um assunto fácil de tratar, mas em situações de catástrofes, como no Haiti ou no tsunami, a morte tem de ser mostrada. Fazia parte da realidade que estávamos a viver.

                                                                                      D.R.
A catástrofe provocada pelo
tsunami matou mais de 280 mil pessoas

Acha que a população dos países afectados ganhou ou perdeu com a projecção mediática?
Penso que ambas as coisas. Ganharam com a ajuda humanitária e monetária, que contribuiu para uma rápida reconstrução dos países. Mas também perderam a nível turístico porque as pessoas tinham medo de viajar para um sítio que tinha acabado de ser atingido por um tsunami. Além de que não sabiam se voltaria a acontecer.
Aliás, o governo tailandês, passado um ano, pagava viagens aos jornalistas para irem mostrar a realidade que estava a mudar. Mostrar um país em reconstrução.

A situação teria sido diferente sem a presença dos média?
Penso que sim. A globalização é hoje uma realidade e os média têm contribuído para essa globalização. O elevado índice de ajuda internacional em casos como o tsunami e agora o Haiti, deve-se em grande parte à divulgação e à rápida proliferação da informação feita pelos meios de comunicação social.

Que imagens recorda?
Os mortos e a destruição. Uma das imagens que mais retenho é a passagem por um templo budista em Kaulak, onde corpos estavam espalhados pelo chão, dentro de sacos brancos. Era uma autêntica morgue.

Acha que fez tudo ao seu alcance para passar o máximo de informação aos telespectadores?
O meu objectivo era esse. Como disse anteriormente, foram dias de grande desgaste físico na procura de novas informações. Chegámos a alugar um barco para ir à Phi Phi Island porque tínhamos recebido a informação que a zona tinha sido bastante afectada pelo maremoto.

Quais as dificuldades que sentiu?
Obter informações. No início a informação era escassa mas, à medida que os dias iam passando, as autoridades locais iam informando os jornalistas. Havia campos de ajuda humanitária, onde jornalistas e outras pessoas se concentravam. Era nesses campos que muitas vezes procurávamos informações e comíamos.

Acha que em termos mediáticos o tsunami teve mais impacto que o terramoto no Haiti?
Não sei, são ambas situações de grande impacto. O tsunami atingiu mais do que um país e morreram muitos estrangeiros. O Haiti é o país mais pobre do mundo. Mas a meu ver o tsunami teve mais impacto por ter morto mais pessoas, principalmente, turistas estrangeiros.

Para terminar, como está a viver a situação que atingiu, recentemente, o Haiti?
Não tenho acompanhado muito a situação. Mas é sempre triste voltar a vivenciar um acontecimento destes, apesar da perspectiva ser outra. Agora encontro-me do lado de cá da realidade e não no terreno. O Haiti é um país muito pobre, choca-me ver o que as pessoas fazem para ter um bocado de comida, agridem-se uns aos outros, são capazes de matar…A situação é mais crítica, abalou um país inteiro.



Sandra Silva


*Esta entrevista foi realizada no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicada na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Sociedade", página 12.


quinta-feira, 11 de março de 2010

O teatro - emblema da cidade de Almada

A Mostra de Teatro de Almada começa com um pequeno mostruário do que os grupos de teatro amadores de Almada faziam, mas é hoje uma referência nacional. Almada é actualmente o maior consumidor de teatro do país e a qualidade dos seus espectáculos enchem as salas.

A Mostra de Teatro de Almada que está a decorrer desde o início do mês de Fevereiro e que se prolongará até ao dia 27, constitui “o emblema da cidade-cultura que somos”, como afirmou António Matos, vereador da Câmara Municipal de Almada, quando contactado pela Gazeta do Cenjor.

Anualmente organizada pela Câmara Municipal de Almada e pelos grupos de teatro do concelho, a Mostra já conta com catorze anos de existência. Fazer crescer os públicos e consolidar o projecto são as expectativas desta 14ª edição.

O acontecimento que é para a autarquia “uma montra de todo o teatro que se faz na cidade”, promove e divulga a diversidade de produção teatral que se faz no concelho.

A diversidade de peças é igual à variedade de público. Os espectáculos dirigidos a públicos de todas as idades são considerados “a característica singular dos festivais de Almada”, sublinhou António Matos à Gazeta do Cenjor.

Para a autarquia esta é uma das quatro grandes festas do teatro de Almada que são: o Festival de Almada, no Verão, o Festival de teatro para crianças – Os Sementes - o teatro escolar (existem muitos grupos de teatro escolares no concelho de Almada) e por fim a Mostra de Teatro de Almada.

Os festivais de teatro de Almada já são conhecidos do público em geral e para António Matos, em particular, “Almada é já uma referência a nível da criação e dos públicos”.

Ao longo dos anos, este festivais têm contribuído para a criação de um público de teatro coeso. A qualidade dos espectáculos é um dos factores do seu reconhecimento.
                                                                                                                 
                                                                                      Luís Rocha
Rita Lello e Pedro Giestas na abertura da Mostra

Durante quinze dias a cidade de Almada enche-se de artistas profissionais e amadores que sobem aos palcos por amor à arte de representar. Dezassete companhias e grupos de teatro levam à cena 19 espectáculos (dez estreias nacionais) de autores tão diversos quanto Adília Lopes, Clarice Lispector, Jean-Luc Lagarce, Molière, Manuel António Pina, Fausto Paravidino, Gil Vicente e Federico García Lorca.

Vítor Azevedo, fundador do Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria, em declarações à Agência Lusa, recorda a geração de actores da década 70-80, que organizava ciclos de cultura com teatro, música, cinema, dança, poesia e exposições. “Não existem actores como nos anos 70-80, amadores mas dedicados, fixos”. E refere-o para dizer que o faziam para trazer as pessoas ao teatro.

“O Avarento” de Molière e “Quantas Artes, Quantas Manha!” de Gil Vicente sobem ao palco pelo Grupo de Iniciação Teatral da Trafaria (GITT), pioneiro na organização de festivais de teatro no concelho de Almada, e o grupo mais antigo a participar nesta 14ª Mostra de Teatro de Almada.

Até ao dia 27 de Fevereiro mais espectáculos vão acontecer nos vários palcos da cidade: Teatro Municipal de Almada, Auditório Municipal Fernando Lopes Graça, Casa Municipal da Juventude de Cacilhas, Auditório da Pluricoop, Teatro Externo, FCT – UNL (Monte da Caparica) e Salão de Festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense. Este último mantém-se palco desde 1996, ano da estreia da Mostra de Teatro de Almada.

O evento teatral abriu portas no dia 5 de Fevereiro com as peças “Theatron”, um elogio às profissões do teatro, apresentada pela Companhia das Artes de Animação e do Teatro de Rua, e “Peça para dois” da Companhia de Teatro A Barraca, com actuações dos actores Rita Lello e Pedro Giestas.

À excepção das peças de abertura, as restantes actuações ficarão a cargo dos grupos de teatro locais, que irão representar grandes obras, clássicos, comédias e danças. A salientar a peça “Vende-se país solarengo com vista para o mar”, de Cláudia Dias, onde o teatro e a dança se cruzam.

Sandra Silva


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Cultura", página 15.


quarta-feira, 10 de março de 2010

Festival de Animação de volta a Lisboa

Está de regresso a Lisboa o Monstra - Festival de animação, que decorrerá entre os dias 11 e 21 de Março. O festival irá fazer uma retrospectiva histórica do cinema de animação português, evocando o que de melhor se tem feito nos últimos dez anos a nível mundial.

Criado por um grupo de pessoas de diversas áreas - um pintor, um antropólogo uma professora, um corista e um realizador - o festival já conta com dez anos de existência, desde a primeira edição em 2000.

A edição deste ano associa-se às comemorações do centenário da República, e promove uma curta-metragem intitulada “Dez por Cem”, um filme de apenas dez minutos feito por 100 pessoas ligadas ao cinema português. O título do filme simboliza os dez anos de Monstra e os cem anos de República, num conjunto de autores e obras do cinema português de animação ao longo dos anos.

A Monstra abrirá a sua edição com um filme português “Aedificandi”, um projecto interactivo que conjuga a arquitectura, animação e performance.

Apesar de Portugal ser o país homenageado, outros países convidados em anos anteriores como o Brasil, a Suíça, a Finlândia e a República Checa, serão recordados em cada dia do evento, num balanço das suas obras e autores.

Também à semelhança do que aconteceu em anos anteriores, a Monstra contará com a presença de convidados ilustres como o realizador norte-americano Bill Plympton, a realizadora checa Michaela Pavlatova e os músicos Normand Roger e Nick Phelps.

Os espectáculos contam também com a participação de Tentúgal, Paulo Curado, Fernando Mota, Ciric e Phelps Monstruouse Band.

Para além das mostras e antestreias de filmes nacionais e internacionais, o festival de animação realiza uma competição e traz a Lisboa, jovens autores que são o futuro da animação. A competição deste ano será dedicada às curtas-metragens, com 12 delas produzidas em Portugal, num total de 56 obras provenientes de 30 países.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Cultura", página 16.


terça-feira, 9 de março de 2010

Obras de Bernardim Ribeiro

A nova edição de “Obras de Bernardim Ribeiro” são o resultado do trabalho conjunto de Hélder Macedo e Maurício do Matos, e constitui uma nova fase de pesquisa sobre o poeta do século XVI. A obra que pretende tornar os textos mais claros para o leitor contemporâneo, actualiza a leitura através da ortografia modernizada e introduz a pontuação.

Para além da novela “Menina e Moça”, o volume reúne os poemas assinados pelo poeta e outros que lhe são atribuídos.

A nova edição conta ainda com um conjunto de notas esclarecedoras, não interpretativas, que poderão ajudar o leitor a compreender melhor o sentido dos textos.

Mantendo-se ao longo dos séculos na literatura portuguesa, Bernardim Ribeiro é considerado um dos três poetas portugueses mais importantes do século XVI, a par de Sá de Miranda e Camões.

Influenciou vários poetas portugueses e espanhóis e antecipou escritores como Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro, através da temática contemporânea da divisão do eu de si próprio.

“Não [dar] a devida importância a Bernardim, é perda sua. Resulta num empobrecimento da sua cultura”, diz Hélder Macedo, referindo-se à obra do poeta como “a actualidade de Bernardim é a actualidade de toda a literatura”.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Cultura", página 14.


segunda-feira, 8 de março de 2010

Dakar regressa a África

O rali Dakar regressa a África na edição do próximo ano. Depois de dois anos de interregno a prova mais carismática todo-o-terreno está de regresso às suas origens, no local que em 2008 teve de abandonar por motivos de segurança.

A prova tem um contrato de dois anos e na edição de 2011 está confirmada a sua passagem pela Líbia e Tunísia. O Egipto é ainda uma probabilidade, pois estão a ser avaliados os riscos de segurança para os participantes.

Segundo declarações do empresário João Lagos ao jornal “O Jogo”, Lisboa terá como concorrentes para a escolha do local de partida as seguintes cidades europeias: Génova, Monte Carlo, Nice, Valência e Barcelona.

A eventual transferência da prova para a zona Sul/Sudeste do Mediterrâneo por motivos de segurança é o principal factor que pode por Lisboa fora de rota nesta competição. As suas ligações seriam longas e demoradas.

Mesmo assim o empresário João Lagos em declarações à Agência Lusa disse que a capital portuguesa é uma das cidades que se mantém como candidata para a corrida do próximo Dakar. “Lisboa está em pé de igualdade com outras cidades europeias”, contrariamente ao que acontecia se a prova entrasse por Marrocos.

O empresário diz ainda que “seremos menos competitivos, porque perdemos um dia de barco, mas continuamos na luta”.

Satisfeitos com o regresso da prova a África estão também os pilotos portugueses Carlos Sousa (carros) e Hélder Rodrigues (motos) participantes na prova deste ano na Argentina e Chile. Carlos Sousa diz que “a prova na Argentina é mais dura e há menos tempo para descansar”. Hélder Rodrigues concorda com a dureza das provas na América do Sul e refere ainda o misticismo da prova africana.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Desporto", página 13.


sábado, 6 de março de 2010

Jovens plagiam em trabalhos escolares

Os jovens usam cada vez mais a Internet para plagiar trabalhos escolares. No dia Europeu da Internet Segura, que se assinalou esta terça-feira, dia 9 de Fevereiro, especialistas falaram sobre este e outros problemas, que fazem da Internet um meio pouco seguro.

Cristina Ponte, coordenadora do EU Kids Online Portugal, projecto europeu que analisa o uso da Internet, telemóvel e outras tecnologias pelas crianças, alerta pais e professores para o uso que os seus filhos e alunos fazem da Internet.

Para a especialista o papel activo dos professores poderá contrariar estes métodos, que se reflectem “em efeitos negativos na qualidade do conhecimento adquirido”, sublinhou.” Muitas crianças pensam que fazer uma pesquisa é ir à Internet, está aqui, corta, cola, imprime e já está”, afirmou Cristina Ponte em declarações à Agência Lusa.

O uso inconsciente e a falta de controlo dos pais aumentam os riscos da Internet. A investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa defende a necessidade de investir em informação e formação em matéria de segurança para proporcionar aos adolescentes “meios para terem um uso responsável e seguro dos suportes digitais”.

Outros fenómenos como, o sexting, que consiste na troca de fotografias enviadas por telemóvel, é uma prática corrente entre os jovens. O seu uso é considerado perigoso porque o conteúdo pode, em muitos casos, ir parar a sítios da Internet de acesso livre, sem consentimento e conhecimento dos seus protagonistas.

Cristina Ponte explica este fenómeno e refere os seus perigos, “são fotografias trocadas por jovens que têm uma relação de namoro e, por vezes, quando a relação acaba as fotografais ficam no youtube e são usadas como forma de pressão psicológica”.

Francisco Rente, investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra considera as mensagens electrónicas, redes sociais e downloads de software as maiores ameaças è segurança da rede.

O coordenador do projecto NONIUS, que testa a segurança da Internet portuguesa, reconhece as vulnerabilidades da evolução tecnológica e defende uma atitude consciente dos utilizadores, de maneira a compreender os perigos a que estão sujeitos.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Sociedade", página 7.


Famílias por realojar em Campo Maior

Estão ainda por realojar as 49 famílias vítimas da derrocada parcial que atingiu a muralha do Castelo de Campo Maior há mais de um mês. A falta de consenso e de apoios são os principais problemas do adiamento.
Devido ao mau tempo, nos últimos anos várias derrocadas têm ameaçado as muralhas do Castelo de Campo Maior e a última que ocorreu no dia 5 de Janeiro desalojou 49 famílias, entre as quais uma comunidade cigana.

Seis das 49 famílias foram abordadas para serem realojadas em contentores, mas rejeitaram tal hipótese. A comunidade cigana que habita junto às muralhas do castelo só abandona o local se todos forem realojados noutra zona da vila. O presidente da Câmara de Campo Maior, Ricardo Pinheiro, que se encontra a cumprir o seu primeiro mandato, diz que “é uma situação complicada e eu não quero comprar uma guerra com aquela comunidade”.

Apesar dos esforços realizados para tentar inverter a situação que se vive no centro histórico, Ricardo Pinheiro sente-se desiludido e desapoiado. “Nós temos andado a tentar arranjar contentores para todos, em segunda mão, a um preço acessível, precisamos de tempo para conseguir alcançar esse objectivo, declarou o presidente da Câmara à Agência Lusa.

A Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo composta pelos 15 municípios do distrito de Portalegre, inclusive Campo Maior, apelou ao Governo que lhes conceda recursos técnicos e financeiros o mais rapidamente possível.

Satisfeito com a solidariedade dos autarcas dos municípios vizinhos, Ricardo Pinheiro, diz que “a conservação do nosso património comum é tarefa de todos, de municípios e do Governo”.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Sociedade", página 7.


sexta-feira, 5 de março de 2010

Irlanda do Norte com novo ministro

O controlo da polícia e do sistema judicial, até ao momento a cargo de Londres, passou a ser da responsabilidade da Irlanda do Norte, num acordo assinado entre primeiros-ministros ingleses e irlandeses, no dia 5 de Fevereiro, em Belfast.

Até ao dia 12 de Abril será então nomeado um ministro da Justiça, colocando-se a possibilidade de ser alguém do partido da Aliança, não-alinhado com unionistas e nacionalistas.

Para Peter Robinson, o chefe de governo da Irlanda do Norte, a paz é um caminho que se mostrará irreversível e este é “o sinal mais seguro de que não haverá um regresso ao passado”, afirmou.

Gordon Brown diz também que “o poder está nas mãos de quem deveria estar, nas mãos do povo da Irlanda do Norte.”

O país não assistia a um acontecimento tão importante desde o acordo de paz em 1998 que pôs fim a três décadas de violência na Irlanda do Norte.

Católicos e protestantes acordaram também a reorganização das marchas tradicionais que eram motivo de violência pelo facto de protestantes “orangistas” passarem por bairros católicos no decorrer destas acções.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Internacional", página 5.


quinta-feira, 4 de março de 2010

Parlamento aprova casamento homossexual

O casamento homossexual foi aprovado pelo Parlamento no dia 11 de Fevereiro. A proposta de lei que legaliza o casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovada em votação final global, com os votos favoráveis do PS, BE, PCP e Verdes.

PSD e CDS-PP votaram contra, juntamente com duas deputadas independentes eleitas pelo PS. Foram também contadas seis abstenções do PSD.

O diploma aprovado seguirá para a Presidência da República e após a sua recepção, o chefe de Estado terá oito dias para solicitar a fiscalização preventiva da constitucionalidade junto do Tribunal Constitucional e outros vinte dias para promulgar ou vetar a proposta de lei.

A proposta de lei aprovada, retira do Código Civil a expressão de “sexo diferente” na definição de casamento que passa a ser “o contrato entre duas pessoas que pretendem constituir família mediante uma plena comunhão de vida”. Contudo, a impossibilidade de adopção por casais homossexuais, mantém-se, como prevê o artigo da proposta de Governo.

Miguel Vale Almeida, deputado eleito pelo PS, manifestou o seu orgulho, justificando a urgência da alteração da lei com a existência de “perseguições” e de um “discurso homofóbico” por parte de algumas pessoas.

José Moura Soeiro, deputado do BE, considera esta aprovação um passo histórico. Enquanto, João Oliveira, do PCP, afirmou que esta é a resolução de um problema concreto de muitos portugueses.

Teresa Morais, deputada do PSD, considerou que a alteração ao Código Civil agora aprovada “abala profundamente a sociedade” e referiu que a lei tem “deficiências graves” que provocarão “incertezas” na ordem jurídica.

Filipe Lobo d’ Ávila, do CDS-PP, partilha da opinião da deputada social-democrata e critica a “pressa” com que foi concluído o processo legislativo, não compreendendo o “grau de prioridade” dado a esta matéria.



S.S.


*Este texto foi escrito no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foi publicado na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Nacional", página 3.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Breves: Sociedade

Na China cerca de 50 a 60 por cento dos adolescentes sofrem de miopia. O índice de miopia é 1,5 vezes superior à média mundial. E segundo Tongren, um dos oftalmologistas mais conhecidos de Pequim, este fenómeno deve-se ao excesso de horas passadas a ver televisão e a jogar vídeo jogos.

A Cruz Vermelha francesa lamenta os donativos ao Haiti, dez vezes inferiores aos do tsunami. Os franceses que em 2004 contribuíram com 112 milhões de euros, não ultrapassaram os 11,5 milhões no caso do Haiti. A nível mundial a situação é idêntica, os 400 milhões de euros doados estão longe dos 3.000 milhões de ajuda ao tsunami.

Hospital de Braga e ARS/Norte chegaram a acordo e o hospital vai continuar a prestar cuidados de saúde a futuros doentes nas aéreas de Infecciologia, Reumatologia, Nefrologia e Imunoalergologia. Mantém a assistência aos 600 doentes destas especialidades, que era feito em diferentes serviços.


*Estes textos foram escritos no âmbito do curso: Ateliê de Imprensa, do Cenjor. Foram publicados na "Gazeta do Cenjor", de 5 a 12 de Fevereiro de 2010, secção "Sociedade", página 6.